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sexta-feira, 17 de abril de 2026

FOME DE PALAVRAS



Está difícil voltar.
Embora - vez ou outra - sinta saudade de pousar por aqui.
Está difícil voltar a ser eu de ontem, aquela que sempre arrumava um tempo para dar forma as palavras.
Que levantava voo daqui para pousar em quintais alheios, saboreando palavras escritas por outras mãos.
Escrever sempre foi algo que gostei, as palavras sempre fluíram de mim com facilidade, encontrando colo no papel.
Eu tenho tido fome: de saberes, de memórias encantadas e de palavras que se transformam em poesias. 
Mas no ano passado,  tive que lidar com tanta demanda que por um tempo o solo se tornou infértil e as letras que plantei não deram frutos.
Por isso me calei e segui com fome.
Mas tenho sentido um burburinho interno e o solo criativo que se fez árido, começa despertar de um sono profundo.
Eu aguardo, respeitando o tempo que o torna fecundo, para que enfim, eu colha as palavras com as quais minha alma se alimenta. 


quarta-feira, 30 de novembro de 2022

"Retorno por aqui e pelos espaços amigos com saudade das interações que esse cantinho me proporciona.

Te ofereço uma cadeira ao meu lado e uma xícara de chá, ou então, se preferir, uma taça de vinho.

O importante é que se sinta a vontade aqui e esteja disposto a me ouvir um pouquinho."

                           UMA PAUSA NO CAMINHO

Na minha última postagem eu falei que havia um silêncio interno e uma necessidade de me aquietar. Não sabia quanto duraria, mas no meu íntimo acreditava que logo esse silêncio seria rompido pelo gosto que tenho em escrever. Não foi o que aconteceu.

Algumas pessoas próximas me perguntaram quando eu voltaria a escrever por aqui e sinceramente eu não fazia ideia, nem de quando e nem sobre o que.
Dentro havia um desejo de observar, sentir, viver. Silenciosa e em atenção plena.
E tanta coisa aconteceu por dentro e por fora de mim. Algumas coisas muito boas e outras nem tanto, teve risos, mas também teve muito choro. 
E o silêncio ali, me habitando.

Estava passando por uma rotina estressante, me dividindo entre muitos espaços e afazeres. Resolvendo pendências que não eram minhas, fazendo tarefas que não me pertenciam. 
Confesso que essa é uma grande habilidade que tenho, resolver coisas que não me pertencem.
Sou expert em parar o que estou fazendo para "prestar um favor" ao outro, principalmente se esse outro for alguém muito próximo ao meu coração.

Talvez seja esse o avesso do afeto, o emaranhado do sentir. Estar no lugar de doadora a maior parte do tempo (o ego nos prega peças e nos faz achar que damos conta e que o outro não consegue sozinho) com isso, também impossibilito o outro de crescer e fazer por si. 
Mas, (sempre tem um mas) é difícil perceber isso quando estamos fazendo para alguém que é próximo e a quem queremos tanto bem.

No meio disso tudo, tive a feliz oportunidade de sair de cena. Visitar outros lugares, ouvir outras línguas, abraçar outras culturas e paisagens. 
Primeiro, tive a felicidade de passar longos dias em frente ao mar, recarregando minha bateria interna com o calor do sol e a água do mar.
Depois, veio o oposto, uma semana rodeada por árvores e uma montanha gelada.

Sou uma pessoa que acredita muito na energia que permeia a natureza e que essa energia equilibra, restaura. Foi o que aconteceu comigo, em contato com o verde e rodeada pelo silêncio, consegui refletir sobre muitas coisas e analisar minha postura de doadora.
Percebi que por mais que eu ame o outro, em algumas situações eu ajudo muito mais me afastando para que ele tenha espaço suficiente para fazer por si e amadurecer.

Em alguns momentos é preciso sair de onde estamos, mudar um pouco a rota, respirar fundo para poder abrir espaço dentro de si e perceber as coisas sob uma nova ótica.
E é assim que regresso por aqui, compartilhando um pouquinho do que aconteceu nos bastidores - pausa do blog e vida real - vou retornando aos poucos, sem pressa.
Respeitando meus passos.
Caminho...




sábado, 2 de abril de 2022

ATÉ LOGO

Há um grande silêncio aqui, fruto da minha vontade de aquietar um pouco em relação ao que vem do externo para ouvir o que vem de dentro. E dentro há um sussurro que me  pede um respiro profundo, a fim de oxigenar meu interno.

Por isso - vou ali um cadinho - abrir a janela e deixar entrar o ar mais frio que a nova estação trouxe. Arejar o coração morno, ouvir o vento, observar os passarinhos se recolherem aos ninhos mais cedo e acompanhar as folhas que se desprendem das árvores.

Faço uma pausa aqui e por outros lugares. Vou ali encher meus alforges de encantos e doçuras. Depois eu volto, sem data e hora marcada.

Quando eu voltar, te faço uma visita.

Bjs e até logo!



quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A VIDA EM MIM

Novembro, além de ser o mês do meu aniversário e igualmente dos meus dois filhos, foi também, o mês do nascimento da minha neta. A primogênita do meu filho mais novo. 
Momentos de alegria, comemoração e celebração à vida! 

Também em novembro, meu neto mais velho - 11 anos de idade - perde uma colega da sala de aula, vítima de um acidente de trânsito.
Por alguns dias vi meu neto andando pela casa, silencioso, triste, introspectivo. Tentando compreender o fim do ciclo de vida de alguém tão jovem.

De um lado, a vida, o início.
Do outro, a morte, a finitude de um ciclo.
Entre os dois, o caminho. Onde,  através das experiências, construímos nossa história e  memórias.
 
Fiquei pensando que durante nossa vida física encaramos a morte algumas vezes e de diversas formas.
Há um luto no fechamento de cada ciclo: no fim de um relacionamento, na mudança de trabalho, de cidade ou de País, nas perdas materiais... mas nenhum se compara ao luto concreto, quando perdemos alguém que amamos.

Há tantas pessoas que se perdem um do outro ainda em vida. Por falta de diálogo, de compreensão,  por não saber perdoar,  por não abrir mão do seu ponto de vista e tantas outras coisas, que às vezes, são tão irrelevantes.

A vida é tão bela, mas também tão curta. Sabemos o mês de um nascimento, mas nunca o mês da nossa partida.
Por isso, é preciso saber valorizar o momento, priorizar quem de fato tem importância enquanto estamos no mesmo caminho.

Eu tenho refletido muito, repensado tanta coisa. Não quero  passar pela vida apenas como quem cruza uma arena carregando marcas da batalha.
Eu não quero economizar minha alma me apegando em sentimentos pequenos. Lamentando meus cansaços, ressecando por dentro por não saber perdoar. 

Porquê um dia a vida vai dar num outro caminho, e aqueles a quem amo tanto não estarão na mesma estrada que a minha. Por isso, deixo esse sopro divino alumiar minha casa-corpo, me permito viver e conviver, consciente do tempo que não controlo.

Foto: Rose A.

Que possamos celebrar a vida com muita honra, gratidão e amor. Que viver seja sempre nosso melhor presente, lembrando que todo dia é ano novo. 

Feliz 2022 a todos!

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

DESCONSTRUINDO

"Ateie fogo em sua vida. Procure por aqueles que gostam de você em chamas." (Rumi)

Nem todos os dias sou doce, em alguns sou temperamental, maliciosa, ácida.
Sei que para muitos que me conhecem fica difícil me ver assim. Estão acostumados com a Sônia doce, educada, gentil e se surpreendem quando demonstro um lado mais agressivo.
Aliás, se surpreendem e alguns até se chateiam com isso, pois só querem conviver com meu lado boazinha, compreensivo, gentil.
Tem momentos que sinto a necessidade de descontruir a imagem homogênea que fazem ao meu respeito - mais do que nunca, estou numa fase onde quero viver minha essência - sem o peso da expectativa que o outro tem sobre mim. 
Quero ter por perto quem gosta de mim, também, pelo meu lado menos compassivo. 
Que não confunda minha delicadeza e educação com sinônimo de santidade.
Que saiba perceber que nem sempre sou água tranquila, há dias que também sou água turva, e nesses dias dá um trabalho enorme manter a serenidade das emoções.
Ter que colocar um sorriso no rosto para disfarçar a aridez que toma conta do peito.
Manter a gentileza nas palavras para disfarçar o frio da lâmina cortante que tá presa na garganta.
Fazer cara de paisagem para disfarçar o tédio de ouvir a conversa banal ao redor. 
Por isso, hoje, viro as costas e não me dou ao trabalho de dar um até logo, de ser cortês, de ser politicamente correta. Cansada de secar minhas larvas internas, deixo que escorram...

                                   


terça-feira, 12 de outubro de 2021

VOO E RAIZ

Não quero viver de remendos - colocados para diminuir ausências, vazios. Quero sim viver de inteirezas. 
De tudo que me preenche, alarga meus horizontes, expande meu coração.

Tô cansada das urgências, sempre com pressa em resolver, fazer, ir e vir.  Não, eu quero é retirar os excessos, pausar para respirar profundamente. 

Quero viver pequenos momentos de prazer sem me sentir culpada por me colocar em primeiro lugar. 
Isso não me faz uma pessoa egoísta, apenas solidifica em mim a certeza que é preciso amar o outro, mas imprescindível amar a mim mesma. Só posso dar o que me sobra, nunca o que me falta.

Eu tenho meus ciclos, minhas inconstâncias, meu próprio ritmo. Há uma revolução acontecendo aqui dentro e preciso superar minhas bordas para chegar a profundeza do meu ser. 
Quero o mergulho nas minhas águas internas e sagradas.

Em alguns momentos ser pássaro e deixar que minhas asas me levem até onde a força do voo permitir.
Em outros ser árvore e usufruir do lugar onde estou plantada. Acolher com minha sombra os que me chegam. Perfumar a vida dos amores que minha alma elegeu para partilhar essa experiência chamada vida.

Só não posso esquecer que é preciso sabedoria para experienciar a leveza do voo e a força da raiz sem me perder entre um e outro.
Sigo aprendendo...

     Foto 1: arquivo pessoal
 Foto 2: Bea Canella

   

quarta-feira, 2 de junho de 2021

SILENCIAR

"Eu sei que você está cansado.  Mas vem, esse é o caminho." (Rumi)


                           (Foto: Roze A.)                                               

Ultimamente tenho me sentido cansada, desejosa de silêncio. Aquele silêncio que me permite reconectar com meu eu, e quando falo em silêncio não me refiro apenas ao externo, mas o silêncio que me permite olhar pra dentro. 

Tenho tentado dar conta de inúmeras coisas e de vez em quando me vem a sensação de que são bem mais do que sou capaz de gerenciar. 
Na verdade tenho tentado cuidar mais do outro do que de mim, na loucura de achar que por muito amar, consigo privar o outro da frustração, da decepção.

Sempre falo que não devemos carregar a mala alheia, que cabe ao outro aprender lidar com as dificuldades do caminho, que eu posso sim ajudar, mas não entrar na tempestade alheia. Só que quando esse outro é alguém muito próximo, fica difícil não me envolver.
Ainda que eu tenha total consciência de que aquele fardo não é meu teimo em sair arrastando a mala ladeira acima.

Com isso, os ombros pesam, a insônia chega e a mente e o emocional vão dando sinais de cansaço.
Percebo que é o momento de me recolher, de aceitar que eu não tenho que ser forte o tempo todo, eu não tenho que estar sempre pronta a consolar o outro, a fazer pelo outro, a me doar tanto. Eu preciso também olhar e fazer por mim.

Tiro a armadura, respiro fundo, reconheço que sou corpo que sangra e que tudo bem não dar conta de tudo.
É hora de me esvaziar, de soltar o ar e me dar um refresco interno, uma pausa, um acalento.
Me banhar com ervas colhidas no quintal, me energizar. 
Respeitar o tempo, e meu tempo é aqui dentro de mim. 
Desacelero, solto a mão do controle e deixo fluir...


terça-feira, 27 de abril de 2021

DO OUTRO LADO

 Do outro lado

Há um rasgo no peito

Uma fissura do tempo no dia

Um abismo no fim do caminho


Há o medo da vida 

Um segredo guardado

Uma verdade calada

Uma mentira vivida


Há alguém que sangra

Ser fragmentado 

Dor, medo, solidão

Morte!


Do outro lado 

Há um remendo no peito

A cura do tempo onde antes era o vazio

Um mar no fim do caminho


Há a coragem em dar um mergulho

A alegria pela vida

Um amor compartilhado

Uma verdade vivida


Há alguém que sonha

Ser integral

Cura, amor, perdão

Renascimento!


Dentro há um caminho

Ser cíclico, espiralado

Aprendizado, metamorfose

Vida - morte - vida!


                                      (Foto de Angela A.)                




sábado, 27 de março de 2021

FALE DE AMOR

Deixe por um instante a tristeza, o medo, a dor, a raiva e fale de amor.
Vibrar amor permite que retorne ao seu estado de equilíbrio.
É no amor que a cura começa.
Se ilumine!

Sorria ao outro, ainda que com os olhos, procure uma forma de espalhar alegria e suavidade.
Tenha paciência, seja generoso.
Plante flores, ouça uma música, escreva um poema, veja o por do sol. 
Ritualize seu dia!

Não deixe que as agruras do dia e a dureza do outro te impeça de manisfestar delicadeza - com a vida, com seu semelhante e consigo mesmo.
O mundo já anda empobrecido demais de palavras e gestos amenos.
Seja condutor de boas energias!

Por hoje, cale a crítica, o julgamento. Releve, perdoe.
Respire fundo, silencie os ruídos mentais.
Se permita ser brisa fresca e deixe que seu coração te guie para o amor.
Nunca foi tão imprescindível amar!



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

JARDIM DE AFETOS

Trago dentro do peito um enorme jardim e cada semente faz parte das minhas próprias escolhas. Colho conforme aquilo que semeio. 
Me olho, me ouço, caminho pelos cantos internos e analiso: o que plantei hoje? 

Para o plantio é necessário paciência, cuidados, intuição. Entre a semente e a flor há o tempo que transcorre por entre meu eu.

Dentro de você também há um enorme jardim pronto para ser cultivado. 
Pois bem... Não o deixe abandonado. Plante, regue, adube!  Somos solo fértil, por isso é preciso cuidado com o que semeamos.

Procure limpar esse espaço, tirar as ervas daninhas que teimam em brotar em alguns momentos, é importante fazer a poda de alguns pensamentos e sentimentos.
Faça um macerado de ervas para a rega, adube com seu rezo, sua fé.

Ao longo do caminho sempre haverá alguém disposto a visitar esse jardim, mas você não sabe quem chega. Talvez  seja alguém leve, sorridente, trazendo novas sementes, ou talvez venha alguém com os pés cansados, os olhos baços e o coração triste e será preciso que você lhe oferte flores, aromas, cores, sabores, a fim de lhe restaurar o ânimo.

Quem sabe você não sirva de estímulo para que outros jardins sejam preparados, semeados e cuidados?

Bora lá semear?

(Thiago A.G.)

(Foto: Arquivo pessoal)

                         

domingo, 3 de janeiro de 2021

A simplicidade de um instante

Quero viver do instante, dos pequenos detalhes que preenchem e dão forma ao meu dia.

Das risadas que dou, dos sorrisos que me chegam.

Quero viver das travessuras do meu neto mais novo e da ternura que emana do mais velho.

Viver das memórias afetivas que guardo dos meus pais.

Do sorriso largo e acolhedor da minha filha, do olhar sonhador do meu filho, que ama observar o céu.

Das gargalhadas entre eu e meus irmãos e tantas outras coisas que dão forma a minha história.

Quero viver do amor que me chega em pequenas porções, várias vezes ao dia.

Do céu que sempre me brinda com uma tonalidade diferente, do canto dos pássaros, do cheirinho de café fresco logo pela manhã.

Porque a vida acontece assim - nos detalhes que fazem parte da minha rotina - nas miudezas, que às vezes, nem percebo.

Meus pequenos milagres, bálsamos que minha alma  recebe da vida, que somados fazem toda diferença e tudo valer a pena.

(Fotos do meu filho: Thiago A.)

Que 2021, fortaleça em nós o que 2020 nos ensinou: o valor de cada instante vivido. 
Que possamos valorizar cada segundo, cada pequena benção que nos chega.
Não perder a capacidade de nos encantar com a beleza - simples e natural - que nos cerca. 
E que não deixemos para amanã, todo amor e todo bem que podemos fazer hoje.

Feliz novo ciclo!






domingo, 6 de dezembro de 2020

OUÇA A MELODIA

Dezembro chegou e com ele, última postagem do ano aqui no blog.
Caneta e papel na mão começo rascunhar algumas ideias, mas a cada uma, outra surge, algumas me contradizendo e questionando, outras indo na via contrária a ideia inicial - escrever algo leve e alegre, talvez um tema natalino - e esse motim de ideias me trazem reflexões, insigths, memórias e uma folha cheia de frases rabiscadas e pontos de interrogação.
Me vejo tentando escrever algo em dissonância com o que sinto e se não vem do coração, não flui.
Não é que eu esteja triste, tenho tantos motivos para ser feliz e grata, mas minhas supostas ideias iniciais se transformam em retrospectiva do ano atípico e difícil que tivemos.

Eu sempre adorei dezembro por conta do Natal, ver as ruas e casas com suas luzes e enfeites coloridos, mas esse ano penso nas  perdas que ocorreram por conta da Covid,  nas famílias que não puderam abraçar seus entes na derradeira despedida. 
Meu genro mesmo, se despediu do pai sem poder dar o último beijo ou fazer um último afago. 
Mas, em contrapartida, também me surge a mente os gestos de solidariedade, os ouvidos prontos para uma escuta amorosa, lábios que consolam, preces que se uniram em uma vibração de fé e amor.

Esse foi um ano onde nos recolhemos, tivemos que nos resguardar, nos permitir ficar vulneráveis, transformar nosso olhar em abraço e em sorriso,  ressignificar a forma de ver e sentir o mundo a nossa volta. 
E enquanto escrevo, lembro o trecho de uma música de Oswaldo Montenegro: "Não pense que o mundo acaba ali aonde a vista alcança. Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança."

Por tudo que esse ano foi e significou eu desejo que nos dias que antecedem o Natal, você ouça a melodia. 
Ouça a melodia da vida te convidando a viver sua potência interna, a abraçar os seus amores, dizer a cada um como são importantes, o quanto você os ama e é grato por compartilhar sua vida com eles.
Que você se preocupe menos em dar presentes e se ocupe mais em ser presença.
Desejo que dançe, ame, alargue seus horizontes internos.
Que ande nos teus caminhos com fé - no teu ritmo e tempo -  respeitando teus ciclos, tuas emoções, permitindo que a vida flua através de você, com muito amor e gratidão.

"As flores dos flamboyants, dentro de poucos dias terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando..."  (Rubem Alves)

Um natal de paz e saúde a cada um que passa por aqui!

terça-feira, 3 de novembro de 2020

NOVEMBRO

Novembro, para mim, é um mês especial.
Mês em que celebro meu aniversário e aniversário dos meus dois filhos. 
Me olho no espelho e me surpreendo com uma nova manchinha na pele, um novo fio de cabelo branco - que eu ainda teimo em pintar - mas hoje,  o que mais me causa espanto não é a imagem que o espelho mostra  e sim, todas as mudanças internas que aconteceram.
Mudanças que foram mais  acentuadas nos últimos dez  anos, que aconteceram aos poucos, com a típica questão íntima: Quem sou eu?
Quem é essa que fala pela minha boca e se expressa através dos meus sentidos?
Quem é essa mulher que me olha diariamente? Quais são seus sonhos, suas vontades?
Foi assim que deu início o resgate da minha essência. No início eu queria me desfazer da versão antiga como alguém que troca de roupa e isso só me trouxe mais frustração, estava caindo no mesmo erro de antes, só que dessa vez não para agradar alguém ou evitar contendas, mas sim, para me desfazer da mulher que não me agradava ser.  Demorei um tempo para perceber que não bastava decidir mudar, que toda mudança pessoal acontece aos poucos e o mais importante, era preciso um resgate feito de forma delicada e amorosa, era preciso agradecer,  perdoar e amar a cada uma que eu havia sido até ali.
Um percurso longo e que me ensinou muito, principalmente, que antes de me doar eu preciso aprender a me encontrar,- se eu não souber quem sou, aceito aquilo que querem que eu seja. E eu não quero ser o molde pensado e desenhado por outra pessoa.
Hoje, sou autora da minha própria história e faço meu caminho, onde a cada passo aprendo, a cada queda me levanto, a cada erro me perdoo, a cada dor me acolho. 
Fácil? Não, às vezes dói muito, pois algumas situações me colocam de frente com meu lado sombra, com minhas dificuldades internas que precisam ser trabalhadas para que eu continue meu processo de evolução mental, emocional e espiritual.
Mas isso já é assunto para uma outra postagem. Por hoje, eu celebro cada conquista com alegria de ser quem sou.
Festejo a mim!







sábado, 10 de outubro de 2020

SINAIS

Domingo retrasado, enquanto preparava meu café da manhã, pensava numa questão que havia acontecido durante a semana e me deixado chateada.
Analisava como algumas posturas alheias refletem em nós e nas nossas emoções, me questionava o que aquela situação queria me ensinar para que tivesse encontrado eco dentro de mim e me tirado do ponto de equilíbrio. 
Quanto mais algo me irrita, mais eu percebo que ali tem algo para eu aprender, principalmente quando é algo recorrente, afinal, a lição só acaba quando eu realmente aprendo o que ela veio me ensinar. 
Aprender não sobre o outro, mas sobre quem sou e como preciso melhorar internamente, acolher minhas emoções, meus conflitos, para só então, elaborar determinada questão e as lições que ela me trouxe.
Enquanto refletia, me veio a mente uma oração indígena, da qual eu lembrava apenas o primeiro trecho - que pronunciei em voz alta, feito um mantra - enquanto terminava de tomar meu café. Depois, fui cuidar dos meus afazeres e não pensei mais no assunto.
A tarde, eu e uma amiga de muitos anos, conversávamos por ligação, uma prática que veio com a quarentena e se tornou comum aos domingos. Até comentamos que nossas ligações tem sido uma espécie de terapia, pois compartilhamos coisas do cotidiano e vários sentimentos, o que tem nos rendido valiosas reflexões.
Durante nossa conversa partilhei com ela o que tinha acontecido na semana, em resposta ao meu desabafo, ela recitou algumas palavras.
Falei que as palavras não me eram estranhas, ela então explicou que eram de uma prece indígena.  No mesmo instante a prece tomou forma em minha mente, a mesma prece que eu havia lembrado pela manhã, só que em trechos diferentes.
Acredito que o Universo sempre nos manda sinais, por isso precisamos estar atentos.
Entendi que a coincidência era um sinal para eu me lembrar da energia que há nas palavras e nas intenções. Que frente algumas questões, o mais sábio é calar e me afastar, para não  dizer ou fazer algo que depois me traga arrependimento.
Agradeci minha amiga pela amizade tão querida e por ela ter sido o canal para que eu compreendesse isso. 
Desde então, tenho feito a prece diariamente e hoje, compartilho com você que passa por aqui, espero que ela seja para você um sopro de energia e paz, assim como tem sido para mim.

PRECE DO BELO CAMINHO

Hoje sairei a caminhar

Hoje todo mal há de me abandonar

Serei tal como fui antes

Terei uma brisa fresca a percorrer-me o corpo

Terei um corpo leve

Serei feliz para sempre

Nada há de me impedir

Caminho com a beleza à minha frente

Caminho com a beleza atrás de mim

Caminho com a beleza abaixo de mim

Caminho com a beleza acima de mim

Caminho com a beleza ao meu redor

Belas hão de ser minhas palavras

Belas hão de ser minhas palavras

Belas hão de ser minhas palavras

Obs.: A Prece do Belo Caminho é pronunciada todas as manhãs pelos Índios Navajos dos E.U.A., antes de saírem para sua jornada diária para que esta seja abençoada!

                                  (Foto: Silvio A.)



terça-feira, 22 de setembro de 2020

GESTAÇÃO INTERNA

 "Sempre a primavera, nunca as mesmas flores". (Ditado chinês)


Hoje acordei sentindo dores e surpresa percebi que estava prestes a parir.
Havia tempos que sentia um desconforto interno, um misto de emoções, uma fome de novos saberes, desejo por novos sabores.
Gestar a si mesmo dói, porque há todo um caminho a ser trilhado e muitos tropeços durante a caminhada.
Sabedoria, desapego, perdão, amor próprio, superação, coragem... é um pouco do que esse caminho reserva, é um pouco do que ele pede.
E não se pode ter pressa, há de  respeitar os ciclos, a fim de não se perder de si mesma.
Talvez eu tenha me perdido em algum trecho do caminho tomada pela pressa em chegar ao centro do meu universo íntimo. Não percebi que dentro de mim já germinava uma nova vida, que eu alimentava com minha seiva sagrada.
Mas confiante, me permiti receber essa outra mulher que mora dentro de mim.
Fechei os olhos, fiz um rezo e procurei auscultar meu coração, não havia risos, choros, lembranças, indagações. 
Nenhum ruído mental, apenas o meu eu, num silêncio profundo que se fez por dentro.
Aspirei profundamente o ar enchendo os pulmões. Senti a vida tão plena em mim, mansa, serena, madura.
Me entreguei e confiei.
O parto foi fluindo naturalmente, leve, mágico, pulsante. 
Me curando, me nutrindo, me libertando!
E eu, na maturidade dos meus quase 54 anos dou a luz e essa luz reverbera por todo meu ser.
Floresço em mim - renascimento - me celebro primavera, com honra e gratidão!


(Foto pessoal)



domingo, 23 de agosto de 2020

CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL


                                             
Estou sempre lendo que estamos vivendo um momento que nos convida a profundas reflexões. Eu também penso assim - embora eu possa refletir em qualquer tempo e lugar -  é diante de tudo que estamos vivendo que mais me voltei para dentro.
Num desassossego interno, me questionando sobre o que tenho feito para tornar o mundo em que vivo um lugar melhor.
Quando eu falo mundo, não me refiro apenas ao planeta, mas sim, todos os âmbitos que transito.
Meu lar, meu trabalho, minha relação com o outro, comigo mesma e com a minha espiritualidade.
Percebo que além dos muitos questionamentos, também tenho me emocionado mais ultimamente, houve semanas em que chorei praticamente mais de uma vez, eu, que raramente chorava.
Mas não pense você que é porque não estou bem ou deprimida, apenas sinto que minha sensibilidade está a flor da pele e que as dores do outro tem me tocado de uma forma muito mais intensa.
Uma pessoa me disse, um dia desses, que sempre houve perdas, mortes, dores. Sim, sempre houve, então porque  agora sinto tanto isso dentro de mim?
Neste momento em que estou aqui escrevendo, percebo que é minha alma que tem chorado. Chorado a dor de tantas perdas que estão acontecendo, onde muitos perderam a vida, outros trabalho, saúde, familiar, amigo - entre tantos outros - que perderam o afeto, a empatia, o amor ao seu próximo.
Choro, me entristeço e minha consciência espiritual grita, num convite diário para que eu possa rever o que penso, falo, sinto e principalmente como estou agindo, comigo e com o outro.
Compreendo que não basta apenas ampliar minha consciência para que eu me torne uma pessoa mais espiritualizada, preciso transformar essa consciência em ações no meu dia a dia.
Não basta apenas dar algo material aqui e ali, eu preciso dar algo de mim mesma e para isso preciso rever conceitos, transformar, criar, renovar,  passar a limpo o meu eu interno.
Eu, que sou só um rascunho do que posso ser diante das inúmeras potencialidades com que Deus me criou. Preciso urgentemente me reconstruir e melhorar minha versão inacabada.

Finalizo minha participação na blogagem proposta pela Rosélia,   com Caio Fernando Abreu:

"E nessa estrada quero achar gente doce, límpida, verdadeira e disposta.
Quero topar com luz, despego e paz."


                           Foto de Adriele G.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

TRANSBORDAR

Transbordo!
Alegria
Dor
Sonhos
Amor
Silêncios
Delicadezas
Saudades...
Escorrem através de
Palavras
Gestos
Lágrimas
Sorrisos...
Expressões do corpo e da alma
Me deixo inundar
A fim de me preencher e  novamente
Transbordar!


(Foto: Silvio N.A.)

Estou vivendo uma fase de muitos questionamentos, analisando o que de fato tem importância e o que preciso desapegar, melhorar, transformar.
E todos questionamentos tem feito transbordar do meu peito, inúmeros sentimentos
Esse verter interno tem sido gota a gota, mas essa lentidão não me incomoda, pela primeira vez em alguns anos não sinto pressa em resolver minhas pendências emocionais.
Está me fazendo bem essa morosidade, me dá tempo para compreender e acompanhar as pequenas mudanças que estão acontecendo.
Finalizar de vez alguns ciclos, que teimosa, continuei a alimentar.
E assim, vou indo, sem remar contra a maré que invade todo meu ser e deságua lentamente - mas de forma continua e intensa - aceito e agradeço esse movimento que acontece e no qual me revelo a mim mesma.
No qual dou voz a minha intuição e a minha verdade.
E me aceito assim, de cara lavada, despida de todo e qualquer julgamento, me
preparando para uma nova fase, que com certeza está surgindo.

domingo, 21 de junho de 2020

CHAMADO INTERNO

Silenciar!
Ouvir o coração, perceber as emoções, auscultar a vibração da alma.
Fechar os olhos e se voltar para dentro de si, sem medo de vasculhar memórias e entrar em contato com sua história.
Para conhecer a luz é preciso desbravar as sombras.

Acolher!
Se dar as mãos.
Retornar a casa interna em busca de suas raízes.
Manifestar amor, compaixão, empatia, gentileza, bondade, alegria.
Somos o que sentimos e pensamos, tudo que se passa no interno tem reflexo no externo.

Celebrar!
A vida, a sacralidade do ser.
O fim de um ciclo e o início de outro.
A capacidade de reinventar, de recomeçar todos os dias.
A semente que vence as adversidades e se lança ao encontro da luz.
Curando o passado, honrando o presente e lançando de si novas sementes.

Deixar ir!
O "antigo eu". 
Soltar as cascas, as amarras.
O que não acrescenta, o que limita, aprisiona.
Tudo que envelhece os olhos e a alma.

Despertar!
Se reconectar com sua natureza íntima.
Ouvir o chamado interno de retorno ao lar.
Trilhar o caminho de volta para casa.
É assim que a cura começa...

                                (Foto: Angela Adriano)


segunda-feira, 25 de maio de 2020

ALMA CIGANA

Tem umas duas semanas sonhei com uma cigana que dançava com muita leveza e alegria, ao observar seu rosto fiquei surpresa, ao reconhecer nela, o meu próprio rosto.
Acordei com uma agradável sensação de bem estar, ao procurar na memória detalhes e significado para o sonho senti vontade de escrever e registrar o que estava sentindo.

Ontem, ao pensar em preparar um novo post lembrei do que havia escrito e decidi que seria a nova postagem.
Para ilustrar a postagem eu poderia pegar uma imagem na internet, mas desejei algo mais fiel a sensação que o sonho me deu.
Por isso, não pensei duas vezes, contei o sonho e ideia ao meu neto Kalel vesti uma roupa mais alegre, peguei um lenço e saí rodopiando pelo quintal.
Foi uma sensação muito boa, sem contar que o neto se divertiu, assistindo e fotografando.

Então, hoje te faço um convite:
Feche os olhos, aguça os sentidos e dance comigo!

                                                                                       
"Oh, alma Cigana! Rodopiando ao som do vento, em meio a cores e aroma de  alecrim.
Reverbera aos meus sentidos, tua energia de luz e alegria.
Assim, vou desatando nós, me desfazendo de rótulos, liberando  compartimentos internos e deixando o ar movimentar a energia estagnada.
Desapego. Perdão. Aceitação. Liberdade!

Oh, alma Cigana! Alimenta minha intuição, o despertar das minhas faculdades internas, minha conexão com a mãe terra e com o Sagrado que habita em mim.
Que eu me preencha dessa tua fluidez, dando asas a minha espontaneidade, aos meus sonhos - gestando novas formas  e parindo nova mulher - cada vez que se fizer necessário.
Purificação. Transformação. Renascimento!"

domingo, 3 de maio de 2020

PALAVRAS-SEMENTES

E as palavras caminham por aí, como transeuntes sem rumo.
Algumas cheias de incertezas, medo, raiva.
Outras prontas para falar de amor, esperança, luz.
Tropeço várias vezes ao dia em várias delas - escritas ou faladas - algumas são como gritos aos meus ouvidos, machucam minha sensibilidade. Vazias, desprovidas de bom senso, rudes, disseminando o medo e a raiva.
Outras me chegam tão mansas, espalhando bondade, fé, dando alento ao meu coração.

É certo que escolho ler e ouvir o que me agrada, que condiz com meu pensamento, minha crença, mas é certo também que todas elas estão aí, aos montes e querendo ou não chegam até mim.
Nessa hora preciso silenciar e usar meu filtro interno, para acolher só aquelas que me representam.
E eu que já não vejo noticiário na TV há muito tempo, tenho me poupado de ver também pela internet.
Pois como escreveu Rubem Alves:
"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos."

Que saibamos, diante de tudo que está acontecendo, usar as palavras com sabedoria.
Não deixando a dureza do outro impedir nossa delicadeza com a vida, com o próximo e consigo mesmo.
Sejamos condutores de palavras amenas, que confortam, revigoram, acolhem.
Vamos espalhar palavras-sementes, perfumadas, leves, coloridas e melhorar os olhos de quem passa por nós...

(Sônia)
                               Foto de Roze A.