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O grupo Mulheres 4 Estações,nasceu do encontro de ideias de 3 mulheres, ao perceberem em si o quanto é prazeroso e enriquecedor a troca de vivencias, já que tantas vezes nos reconhecemos no pensamento e sentimento alheio. Então veio o desejo de compartilhar essa experiencia com outras mulheres..... e assim como a natureza se reveste das estações para se revelar aos nossos olhos,nós nos revestimos do falar e ouvir, para nos revelar a nós mesmas.........

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL


Ao visitar o blog da amiga Roselia, https://www.idadeespiritual.com.br, senti vontade de participar da blogagem coletiva em comemoração aos 10 anos do seu espaço e antes mesmo de avisá-la da minha participação, comecei a pensar sobre o que poderia escrever.
O que de fato descreve a inteligência espiritual? Sei que cada um tem a sua, numa percepção mais ou menos apurada, já que cada ser está num patamar de evolução e de entendimento.
Também sei, que ela independe da religião. Mas quanto a mim, o que a resume?
Seria a necessidade que tenho de me ligar ao alto, sentir o contato com minha essência criadora?
Acredito que quando não alimentamos a fofoca, a maledicência, as tristezas e procuramos levar alegria, otimismo, ânimo e amor aos que nos cercam, espalhando o desejo de renovação a outros corações,  estamos usando a inteligência espiritual.
A sabedoria do amor de Deus, que habita em nossa essência e  se manifesta através das nossas ações.
Também podemos usar dessa nossa inteligência para expandir nossa consciência e ver o mundo como um todo e não apenas a parcela do que estou vivendo e sentindo no momento.
Filtrar o que realmente tem importância, se algo me acrescenta ou me contamina e perceber que muitas vezes, alguns lugares (ou pessoas), já não me cabem.
Finalizo minha participação com uma citação de Mia Couto:

"Ainda lembrei de suas palavras amadurecendo uma esperança para mim quando eu de tudo descria:
Não vê os rios que nunca enchem o mar? A vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver."
(Mia Couto - O Ultimo Voo do Flamingo)






                                                                                                  







sexta-feira, 2 de agosto de 2019

VOO

Hoje ao acordar, achei que era pássaro.
Abri a janela, aspirei o ar da manhã e me preparei para o voo.
Ao tentar abrir as asas veio o susto, onde estavam?
E minhas penas coloridas, quem as arrancou?
Sinto medo!
O que é de um pássaro sem suas asas e sem suas penas?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao acordar, desejei ser pássaro.
Sentar no parapeito da janela, olhar a vista, bater asas e voar.
Leve, livre, enfeitando o ar com minhas penas coloridas.
Mas sei que não há como ser pássaro, o desejo é apenas uma metáfora que minha alma usa para mostrar o seu ensejo de liberdade.
Sinto medo!
O que é alguém que não se sente capaz de alçar os próprios voos?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao despertar, decidi ser eu mesma.
Dona da minha vontade e autora da minha história.
Não permitir que outros me tolham o voo, me cortem as asas e apaguem minhas cores.
Sinto coragem!
O que se torna alguém que luta por seus sonhos, suas vontades e por viver sua essência?
Um ser completo e feliz.

Voo.
Por espaços esquecidos dentro de mim.
Me pertenço.
Me aceito.
Me liberto.
Sou livre, enfim!

Sônia A.

                          (Foto de Rose A.)

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A ÁRVORE QUE FLORESCE NO INVERNO

Os sinais eram inequívocos. Aquelas nuvens baixas e escuras... O vento que soprava desde a véspera, arrancando das árvores folhas amarelas e vermelhas. É, o inverno estava chegando. Deveria nevar. Viriam então a tristeza, as árvores peladas, a vida recolhida para funduras mais quentes, os pássaros já ausentes, fugidos para outro clima, e aquele longo sono da natureza, bonito quando cai a primeira nevada, triste com o passar do tempo... 
Resolvi passear, para dizer adeus às plantas que se preparavam para dormir, e fui, assim, andando, encontrando-as silenciosas e conformadas diante do inevitável, o inverno que se aproximava. E foi então que me espantei ao ver um arbusto estranho. Se fosse um ser humano certamente o internariam num hospício pois lhe faltava o senso da realidade, não sabia reconhecer os sinais do tempo. 
Lá estava ele, ignorando tudo, cheio de botões, alguns deles já abrindo, como se a primavera estivesse chegando. 
Não resisti e, me aproveitando de que não houvesse ninguém por perto, comecei a conversar com ele, e lhe perguntei se não percebia que o inverno estava chegando, que os seus botões seriam queimados pela neve naquela mesma tarde. 
Argumentei sobre a inutilidade daquilo tudo, um gesto tão fraco que não faria diferença alguma. Dentro em breve tudo estaria morto... E ele me falou, naquela linguagem que só as plantas entendem, que o inverno de fora não lhe importava, o seu era um ritmo diferente, o ritmo das estações que havia dentro. 
Se era inverno do lado de fora, era primavera lá do lado de dentro dele, e seus botões de flor eram um testemunho da teimosia da vida que se compraz mesmo em fazer o gesto inútil. As razões para isso? Puro prazer. 
Ah! Há tantas canções inúteis, fracas para entortar o cano das armas, para ressuscitar os mortos, para engravidar as virgens, mas não tem importância, elas continuam a ser cantadas somente pela alegria que contêm... 
E há os gestos de amor, os nomes que se escrevem em troncos de árvores, preces silenciosas que ninguém escuta, corpos que se abraçam, árvores que se plantam para as gerações futuras, lugares que ficam vazios, à espera do retorno, poemas inúteis que se escrevem para ouvidos que não podem mais ouvir, porque alguma coisa vai crescendo por dentro, um ritmo, uma esperança, um botão pela pura alegria, um gozo de amor. E me lembrei de um pôster que tenho no meu escritório, palavras de Albert Camus: "No meio do inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível". 
E aí a alucinação teológica tomou conta da minha cabeça e me lembrei de uma velha tradição de Natal, ligada à árvore. As famílias levavam arbustos para dentro de suas casas. E ali, neve por todas as partes, elas os faziam florescer, regando-os com água morna. Para que não se esquecessem de que, em meio ao inverno, a primavera continuava escondida em alguma parte. 
Inverno: o frio, a neve, o silêncio, a morte. 
Quando as plantas florescem na primavera, ali os homens escrevem os seus nomes. Mas quando as plantas florescem no inverno, ali se escreve o nome do Grande Mistério... 

(Rubem Alves)

                                    (Foto de Rose A.)

terça-feira, 18 de junho de 2019

NÃO DESISTA DE VOCÊ

Em cada esquina eu buscava um alívio para meu sofrimento. Por dentro era escuro, dor, tormento.
Buscava nos olhares mais tristes que o meu, uma única esperança. No farol, um olhar ingênuo avistei, vindo de uma criança. 
Me olhou com olhos de compreensão, reconheceu a dor que eu  sentia em minha alma e no meu coração. 
Com um gesto simples, humilde, sorriu. Disse que um pouco de dinheiro adquiriu e que comida ele ia comprar. Nesse dia, sua família ele iria sustentar.
Naquele momento pude perceber, em algum lugar vai haver, alguém que sofre mais que eu e você.
Você que está lendo, não sofra, pois tem mais corações aflitos.
Siga em frente com um lindo sorriso, se encoraja, alivie seu coração. Peça pra Deus, Ele entenderá sua oração.
Todos passamos por momentos difíceis na vida - não desista, persista, insista até alcançar - a luz que da escuridão te livrará.

(Thiago A.G.)

                       (Foto de Taís F.)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

RUÍNAS

Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro (O olho do monge estava perto de ser um canto). Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”. E o monge se calou descabelado.
(Manoel de Barros)
                                                 (Imagem:Google)

terça-feira, 28 de maio de 2019

"A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores."
(Teixeira de Pascoaes)

                          (Foto de Rose A.)

                           COR(AÇÃO)

Conheço uma pessoa que por anos viveu um relacionamento abusivo, permeado por 
medo, dor e muitos conflitos internos.
Em todo esse tempo nunca deixou de sonhar, fazendo planos e tecendo histórias com final feliz.
Enfim, o tempo passou, as filhas tornaram-se  independentes e ela tomada de coragem e esperança, resolveu que era o momento para dar um basta e traçar para si um novo caminho.
Pegou suas coisas - roupas e alguns utensílios pessoais - fechou a porta e saiu sem olhar para trás.
No começo parecia um bichinho acuado, mas aos poucos o seu entusiasmo pela vida foi lhe dando forças para seguir adiante e não esmorecer.
Alguns anos se passaram e o universo conspirou para que ela conhecesse alguém, uma pessoa boa que cuida dela com muito respeito e amor.
Ela ainda carrega marcas que o tempo não foi capaz de apagar, mas escolheu continuar sorrindo ao invés de ficar chorando e se lamentando.
Ainda que tenha vivido dias cinzentos e de chuva fria, ela ousou ser cor.
E eu que tenho minha vida entrelaçada a dela, sei que mesmo com tantos problemas ela sempre arrumou tempo para auxiliar outros a sua volta.
Afinal - para colorir a alma - é preciso se esvaziar de si e colorir com o coração.
                       (Sônia A.)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

RECOLHER-SE

A noite adentrou o dia, sem se importar com o sol que fazia lá fora
Veio trazendo o breu de uma madrugada fria
Ainda tentei abrir a fresta de uma janela para que entrasse uma réstia de luz
Mas não tive força suficiente para desemperrar o que o tempo engrenou
Rezo, procuro na fé a força necessária para seguir adiante
Choro e as lágrimas deixam um rastro quente na minha face cansada
Acendo a chama do fogão, faço um chá na tentativa de aquecer o corpo e diminuir o aperto que carrego no peito
Um dia o sol volta a brilhar, eu sei
Mas por hoje, me encolho no sofá e deixo a noite me envolver
Também é preciso força e coragem, para chorar a dor que as vezes nos consome a alma.
(Sônia A.)

Foto de Adriele G.

domingo, 24 de março de 2019

UM ARCO-ÍRIS NO OUTONO


Outono é uma estação que significa para muitos, um período de introspecção.
Eu, que acredito muito na nossa ligação íntima com a natureza, ando me sentindo assim, introspectiva. E não é por ficar sugestionada com a mudança da estação, pois só me dei conta do seu início, quando recebi no watsApp algumas mensagens de bom dia com frases saudando o outono. 
Mas, a chegada da nova estação, coincidiu com meu movimento de voltar o olhar e o pensamento pra dentro, analisar algumas áreas da minha vida e repensar algumas escolhas.
Um amigo me disse, que o outono é a estação propícia para romper as cascas que criamos para nos proteger, deixar que o vento leve o passado ou o que não acrescenta, ouvir a voz da intuição e gestar novas sementes, que no momento certo irão eclodir.
Pensando nisso, tento perceber quais são as minhas cascas e o que devo fazer para romper alguns padrões mentais e emocionais, percebo que não é uma tarefa fácil.
Diante de certos acontecimentos e fases, criamos uma carapaça que sirva de proteção contra o medo, tristeza e dor. Às vezes a fase acaba e nem percebemos que continuamos dentro dessa casca, talvez como forma inconsciente de evitar outros sofrimentos.
Resolvo começar fazendo uma faxina no guarda-roupa, pois talvez seja mais fácil começar pela parte material, do que a emocional. 
Assim, hoje me coloquei a separar livros e roupas para doação, limpar gavetas, mudar roupas de lugar. 
Depois, fui organizar uma caixa onde guardo coisas da infância dos meus dois filhos - que atualmente têm 30 e 19 anos de idade - cartões, cadernos, bilhetes e trabalhos de quando estavam no início da fase escolar. Entre tantas lembranças lindas, voltei no tempo e confesso chorei muito, chorava e ria ao mesmo tempo, no meio de frases, desenhos e cores, imersa num mundo de boas recordações.
Com isso, um amor tão profundo preencheu todo meu coração, aquietou todas minhas inquietações e no meio do meu outono interno, surgiu um lindo arco-íris.



                                    (Foto de Adriele G.)

domingo, 10 de março de 2019

MARCAS


Carrego cicatrizes do passado, de dor e sofrimento.
Lutei com garras e dentes e não desisti em nenhum momento.
Matando um leão por dia e lutando contra um desejo. 
A tempestade não me levou e o refúgio sempre foi o abraço daqueles que me amam.
O chão do terreiro que piso descalço, me reconecto com meu interior e sinto o desejo de fazer o bem.
Liberdade é ser capaz de enxergar um futuro pra viver.
Ter alguém do meu lado, que me ajude a crescer - somando e multiplicando - alegrias e sonhos.
Família e crianças brincando ao meu redor.
Sorrisos...
(Thiago A.G.)


        (Foto de arquivo pessoal)             




Nem sempre sabemos da luta interna que o outro vive, seus medos, limitações e conflitos.
Algumas pessoas nos enchem de orgulho, pela força que carregam na alma.
E você, meu querido, tem uma alma guerreira.
Te amo
(Sônia)




domingo, 17 de fevereiro de 2019

PROCURA-SE CURADORES DE RISOS

Gente que tenha o dom de restaurar confiança, com simplicidade e um pouco de amabilidade.
Capaz de abraçar de olhos fechados, que tenha a percepção da beleza da humanidade do outro, que abrace simplesmente a essência.
Gente que escute sem julgar, questionar ou ensinar, simplesmente, acolha...
Que use no cotidiano as palavrinhas mágicas. "Obrigada" se faz indispensável.
Gente que saiba auxiliar sem anotar, sim daqueles corações generosos e desmemoriados.
Gente que motive, encoraje e incentive na prática, em gestos e ações desinteressadas.
Que respeite o sagrado de tudo que vive, que bendiga e abençoe com a alma, com verdade e ternura.
Gente com sol no peito, que saiba benzer com um simples toque de carinho, que domine ao menos um pouco a arte de iluminar olhares com poções diárias de alegria.
Que conheça a alquimia da esperança, receite gotas de ânimo, doses doces de amanhecer com fé, lida com gosto, por-de-sol com gratidão e noites em paz...
Procura - se gente disposta a doar amor e a resgatar risos perdidos...
Gente com vocação de curar com o simples gesto de - amar.
Alguém? ...
(Rita Maidana)

                         Foto: Rose A.

sábado, 29 de dezembro de 2018

FELIZ ANO NOVO

Para termos um Feliz Ano Novo temos que estar dispostos a “matar” o que fomos e nascer de novo em cada momento da vida. Está aí um grande desafio. Dos maiores, senão o maior de todos!

As cigarras passam a maior parte de suas vidas debaixo da terra, alimentando- se das raízes das árvores. Disseram-me que há certas espécies de cigarras que chegam a viver 15 anos debaixo da terra. 
De repente, alguma coisa acontece, e surge dentro delas um impulso irresistível para mudar. Saem então dos seus túneis, sobem pelos troncos das árvores, arrebentam suas cascas, subterrâneas gaiolas, e se transformam em seres alados. 
Se elas não abandonarem suas cascas não se transformarão em seres alados. Continuarão a ser seres subterrâneos. Nossos demônios são nossas cascas.
Abandonar as cascas é esquecer a forma subterrânea de ser. A grande transformação das cigarras acontece quando a morte se aproxima. É a proximidade da morte que lhes diz: ‘Chegou a hora de voar, cantar e fazer amor, para continuar a viver…’ Eu acho que a morte é o único poder capaz de nos trazer vida nova. 
A consciência da morte nos força a sair de nossas sepulturas, nos dá asas, nos convida a voar e a amar.
(Rubem Alves)

                                 (imagem arquivo pessoal)

"Que em 2019, possamos deixar ir embora tudo aquilo que não nos acrescenta.
Que a "morte" do que nos adoece e envelhece a alma, ocorra de forma suave, sem traumas e apegos.
Que possamos tirar nossas cascas, conservar nossos frutos e deixar desabrochar novas flores, tudo com muita gratidão e amor.
Assim, o novo renascerá, não apenas no calendário anual, mas dentro do nosso coração."

Celebremos a vida, com alegria e gratidão.
Feliz Ano Novo!


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

"Minha vó dizia:para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar..."
(Fabrício Carpinejar) 

Que possamos sempre, ser nosso próprio lugar de paz e refazimento.
E ser feliz, pelo simples fato de nos pertencer.

Um ótimo mês de novembro à todas amigas que passam por aqui.


                                        (Foto de Rose A)



quarta-feira, 10 de outubro de 2018

DELICADEZA

A noite passada, Andrea, que é minha amiga e irmã de alma, me mandou lindas fotos via whatsapp, acompanhadas do seu pensamento:
"Ontem, mesmo com a chuva fina, não resisti sentir esse cheirinho de terra molhada. E como não fotografar?...Sim, existe cor em um dia nublado".
Quando li e vi as fotos me senti tocada, não apenas pela beleza das flores, mas pela mensagem subliminar que veio de encontro com meu momento.
É que por alguns imprevistos da vida, estive vários dias nublada por dentro.
Coração apertado, ombros caídos, pensamentos e sentimentos confusos, olhar sem brilho.
No geral, sou sempre uma pessoa que ri dos próprios problemas, sempre disposta a confortar o outro, a ver o lado positivo e tirar uma lição do problema, mas por alguns dias - duas semanas para ser mais exata - não consegui lidar tão bem com os acontecimentos. 
Até tentei escrever, coisa que sempre procuro fazer e que me ajuda bastante a coordenar os pensamentos e acalmar as emoções quando não estou bem.
Mas nesse dia, as únicas palavras que saltaram para além de mim, demonstram exatamente o que ia no meu íntimo:
"Hoje um pássaro me pousou nos olhos.
Asas caídas, canto emudecido e tudo se tornou tão cinza e triste."
Embora eu já esteja me sentido melhor e as emoções mais equilibradas, o cinza ainda não se dissipou totalmente.
Mas ao ler a mensagem e ver a cor saltar diante dos meus olhos através das fotos, tomei consciência de que é preciso apreciar o belo, encher os olhos de cor, ainda que isso não dissipe toda névoa, ajuda a não perder a capacidade de apreciação, serve como alimento pra alma, impulso para a vontade.
E quem sabe assim, movido pela vida que pulsa sem cessar, o pássaro dos meus olhos sinta o fremir das asas, o desejo de voar e depois pousar - suavemente - sobre uma flor.
Vou torcer para que sejam rosas e que o perfume que elas exalam o faça cantar, num agradecimento à Deus pelos presentes cheios de delicadeza que Ele coloca em minha vida, diariamente.
Através de inúmeras coisas, como palavras, imagens e amiga que teima em ser irmã...

                     Foto de Andrea Giovanna

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

MEU LUGAR MÁGICO

 

Hoje senti saudade desse meu cantinho, ao entrar para pensar em algo que pudesse usar como postagem, vi o convite da querida Roselia.
Minha primeira participação numa blogagem coletiva e é com alegria que faço isso.
O tema proposto é: Qual o meu lugar mágico?

Ao me fazer essa pergunta, fechei os olhos e tantas coisas vieram a minha mente.
Meu lar, meus filhos e netos - que são os amores da minha vida - amigos, família.
Percebi que meu lugar mágico é quando, em silêncio, fecho os olhos e me visito.
É dentro de mim, num cantinho sagrado que guardo o meu melhor, as lembranças queridas, os amores, as alegrias.
Lugar para onde me volto quando preciso descansar dos ruídos ao meu redor. Lógico que aqui dentro nem sempre é silencioso, às vezes  o barulho é ensurdecedor e dói.
Ainda assim, é a estrada de dentro que tenho que percorrer para me encontrar e me fortalecer. Esse caminho percorro  através de uma oração, de uma música, recitando mentalmente um poema, buscando lembranças queridas.
E quando enfim, consigo sentir minha alma em harmonia, sei que encontrei meu lugar mágico, capaz de restaurar minhas energias e me fazer ser capaz de continuar.

                            (Foto de Andrea Giovanna)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O VALOR DO HOJE

Hoje é o que temos.
Não deixemos nada para depois. Vamos viver o que gostaríamos e fazer o que queremos.
Não adiemos nada, pois o amanhã, quem sabe...
Nunca saberemos se aquele beijo, aquela palavra, aquele abraço, aquela conversa, estão sendo o último.
Se soubéssemos, faríamos diferente?
Então, vamos viver o que está pulsando dentro de nós, objetivar os planos e anseios, mas sem deixar de viver o que a vida está nos oferecendo. 
Vamos beijar e abraçar demoradamente quem desejamos e dizer o que estamos sentindo. 
Perceber nossos cheiros, trocar carinhos, desabafos e conselhos.
Chega um momento na vida que vamos ficando órfãos, o que fica e o que levamos são esses momentos, essa energia e amor.
Portanto, não deixe para viver depois uma paixão, um amor, porque está ocupado demais com o trabalho ou objetivos. 
Tudo pode e deve fluir simultaneamente.
Não deixe para dizer amanhã eu te amo ou como alguém é importante.
Vamos viver cada instante, ser leve, espontâneo. 
Vamos nos permitir sentir e demonstrar.
Porque hoje é o que temos, o amanhã quem sabe......
(Andrea Giovanna)

                                        (Foto: Taís A

segunda-feira, 16 de abril de 2018

"Amo a vida. Fascina-me o mistério de existir.
Quero viver a magia de cada instante, embriagar-me de alegria.
Que importa a nuvem no horizonte, chuva de amanhã?
Hoje o sol inunda o meu dia."
(Helena Kolody)

           (imagem arquivo pessoal)
                            
Eu me casei muito jovem, aos 19 anos. Casamento que resultou em dois filhos e vinte quatro anos de união. 
Depois veio a separação e por mais amigável que tenha sido, deixou seu rastro de mágoa, tristeza e tantas emoções conflitantes. 
Não é fácil lidar com o fim de um relacionamento, mas também não dava para sentar e chorar, eu precisava pensar como ia ser dali em diante. 
A primeira providência foi arrumar um trabalho que me permitisse ter tempo para ficar com meu filho, que na época tinha dez anos e sentia muita falta da presença do pai. 
Foi preciso guardar o que eu sentia, colocar um sorriso no rosto e seguir em frente, mas confesso - as noites eram bem difíceis - meu travesseiro sabe quantas insônias tive pensando no amanhã. 
Mas o tempo passou, a dor e o medo perderam força e deram lugar a outros desejos e projetos. Um deles, o grupo "mulheres 4 estações", que foi um divisor de águas na minha vida.
Com as reuniões mensais voltei a me enxergar como mulher, resgatei minha auto estima e percebi que era o momento de fazer algo por mim, foi assim que voltei a estudar e fui fazer faculdade de pedagogia. 
Esse era um sonho antigo e achei que merecia realizar. 
Agora, estou no último ano, rodeada de trabalhos, estágio e primeira fase para entrega do projeto do TCC. Procurando conciliar com o trabalho, família, casa e outras coisas. 
É por esse motivo que tenho me demorado nas postagens e nas visitas aos espaços amigos. 
Por isso peço às amigas que tem vindo me visitar que não desistam de mim, eu volto logo.

Um ótimo mês à todas!


domingo, 21 de janeiro de 2018

SABOREAR

"Ando com fome de coisas sólidas e com ânsia de viver só o essencial. Pessoalmente, penso que chega um momento na vida da gente em que o único dever é lutar ferozmente por introduzir, no tempo de cada dia, o máximo de eternidade."
(Guimarães Rosa)

                                         (Foto de Adriele G.)
                            
Em 2017, os dias passaram por mim com uma velocidade impressionante. Tive de dar conta de muitas atividades ao mesmo tempo, talvez por conta disso, no início de novembro acabei tendo uma tendinite do calcâneo, que me custou mais de 30 dias de repouso e muitas limitações. 
Antes da tendinite eu estava numa fase muito chorosa, lamentando a correria, o cansaço físico e mental, resumindo, com pena de mim mesma. 
O repouso forçado me fez rever algumas atitudes mentais e emocionais e valorizar - literalmente - cada passo dado, cada atividade desenvolvida.
Que existe uma diferença entre o que há para ser feito e o que eu posso fazer naquele dia.
Perceber o quanto as pequenas pausas diárias são necessárias, a fim de frear a ansiedade em dar conta de tudo.
Prestar atenção no que está sendo feito e falado, estar realmente conectada com o aqui e agora.
Por isso, ao acordar, tenho procurado abrir os olhos devagar, me espreguiçar na cama e fazer minha oração matinal, em vez de pular ao primeiro toque do despertador. 
Tomar minha xícara de café com calma e acreditem, ele está bem mais saboroso,  embora seja a mesma marca e medida no preparo.
Não sei vocês, eu até fico sem o café no decorrer do dia, mas pela manhã ele é indispensável. 
Sentir seu aroma na cozinha e tomar uma xícara dele bem quentinho me dá a sensação de que o dia realmente começou e estou pronta para iniciar minhas atividades. 
Talvez, eu precise colocar mais vezes em prática o ato de saborear.
Saborear o café, a refeição, o momento, a vida.
Lentamente!
(Sônia A.)
                            
Que possamos saborear o novo ano, com o cuidado amoroso que merecemos.
 
                   FELIZ 2018!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PHOENIX



Como se chama o que renasce das cinzas? 
A mitologia nos apresenta uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, queimada,renascia das próprias cinzas.
Há variações que acrescentam que, além do renascer, essa ave tinha a capacidade de pressentir o cheiro de um fim, e ia ao seu encontro, jogando-se contra o fogo para que se cumprisse o seu destino.
Phoenix é o nome da ave.

E humanamente, como chamamos quem renasce de si?
Como chamamos quem pressente o cheiro de um fim e se lança mortalmente ao encontro deste com bravura, dor, coragem, medo, tristeza, lamento, altivez, tontura.
Com toda sua bagagem, ao encontro do que lhe espera, porque o sabe inevitável e ao inevitável não se pode fugir.

Como chamamos quem sobrevive a si para ensinar aos outros que é possível renascer?
Como chamamos quem exerce amor como prática de vida e morrendo em sua sina revive porque o semelhante precisa dessa ressurreição?
Como chamamos quem expõe suas dores, seus medos, seus temores, com naturalidade e sabedoria contumaz porque é assim que tem que ser ?
Não sei.

E a Phoenix pousou sobre meu inconsciente.
É que nesse mundo, meu feito mais constante é o de observar.
Do que vejo e sinto, escrevo.
Mas por agora, me perdoe, não sei denominar.

Não sei nem mesmo como chamar esse estado que se adquire, essa capacidade, não de sobreviver às intempéries, mas de renascer da morte dos próprios sonhos.
Mas sei que é possível.
E vejo Phoenix sobrevoando o mundo do renascer.
A fábula e a vida real dançando juntas. 
A primeira é a mestra, a segunda a aluna.

E assim como a ave mitológica que tenta ensinar a recolher o pó da combustão de nossas substâncias essenciais porque será dele que virá a nova vida, precisamos ir ao nosso encontro.
Precisamos virar a esquina do pesadelo com a consciência clara de que de nossas cinzas nos faremos vida e de novo sonho.

Não sei como chamar quem renasce das próprias dores e do próprio fim.
E renasce sempre melhor e mais belo.
Mas tenho cá comigo a intuição de que se chama GENTE.
E é com essa GENTE que eu quero aprender a viver.

(Maine Virginia Carvalho)