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quarta-feira, 2 de junho de 2021

SILENCIAR

"Eu sei que você está cansado.  Mas vem, esse é o caminho." (Rumi)


                           (Foto: Roze A.)                                               

Ultimamente tenho me sentido cansada, desejosa de silêncio. Aquele silêncio que me permite reconectar com meu eu, e quando falo em silêncio não me refiro apenas ao externo, mas o silêncio que me permite olhar pra dentro. 

Tenho tentado dar conta de inúmeras coisas e de vez em quando me vem a sensação de que são bem mais do que sou capaz de gerenciar. 
Na verdade tenho tentado cuidar mais do outro do que de mim, na loucura de achar que por muito amar, consigo privar o outro da frustração, da decepção.

Sempre falo que não devemos carregar a mala alheia, que cabe ao outro aprender lidar com as dificuldades do caminho, que eu posso sim ajudar, mas não entrar na tempestade alheia. Só que quando esse outro é alguém muito próximo, fica difícil não me envolver.
Ainda que eu tenha total consciência de que aquele fardo não é meu teimo em sair arrastando a mala ladeira acima.

Com isso, os ombros pesam, a insônia chega e a mente e o emocional vão dando sinais de cansaço.
Percebo que é o momento de me recolher, de aceitar que eu não tenho que ser forte o tempo todo, eu não tenho que estar sempre pronta a consolar o outro, a fazer pelo outro, a me doar tanto. Eu preciso também olhar e fazer por mim.

Tiro a armadura, respiro fundo, reconheço que sou corpo que sangra e que tudo bem não dar conta de tudo.
É hora de me esvaziar, de soltar o ar e me dar um refresco interno, uma pausa, um acalento.
Me banhar com ervas colhidas no quintal, me energizar. 
Respeitar o tempo, e meu tempo é aqui dentro de mim. 
Desacelero, solto a mão do controle e deixo fluir...


terça-feira, 27 de abril de 2021

DO OUTRO LADO

 Do outro lado

Há um rasgo no peito

Uma fissura do tempo no dia

Um abismo no fim do caminho


Há o medo da vida 

Um segredo guardado

Uma verdade calada

Uma mentira vivida


Há alguém que sangra

Ser fragmentado 

Dor, medo, solidão

Morte!


Do outro lado 

Há um remendo no peito

A cura do tempo onde antes era o vazio

Um mar no fim do caminho


Há a coragem em dar um mergulho

A alegria pela vida

Um amor compartilhado

Uma verdade vivida


Há alguém que sonha

Ser integral

Cura, amor, perdão

Renascimento!


Dentro há um caminho

Ser cíclico, espiralado

Aprendizado, metamorfose

Vida - morte - vida!


                                      (Foto de Angela A.)                




sábado, 27 de março de 2021

FALE DE AMOR

Deixe por um instante a tristeza, o medo, a dor, a raiva e fale de amor.
Vibrar amor permite que retorne ao seu estado de equilíbrio.
É no amor que a cura começa.
Se ilumine!

Sorria ao outro, ainda que com os olhos, procure uma forma de espalhar alegria e suavidade.
Tenha paciência, seja generoso.
Plante flores, ouça uma música, escreva um poema, veja o por do sol. 
Ritualize seu dia!

Não deixe que as agruras do dia e a dureza do outro te impeça de manisfestar delicadeza - com a vida, com seu semelhante e consigo mesmo.
O mundo já anda empobrecido demais de palavras e gestos amenos.
Seja condutor de boas energias!

Por hoje, cale a crítica, o julgamento. Releve, perdoe.
Respire fundo, silencie os ruídos mentais.
Se permita ser brisa fresca e deixe que seu coração te guie para o amor.
Nunca foi tão imprescindível amar!



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

JARDIM DE AFETOS

Trago dentro do peito um enorme jardim e cada semente faz parte das minhas próprias escolhas. Colho conforme aquilo que semeio. 
Me olho, me ouço, caminho pelos cantos internos e analiso: o que plantei hoje? 

Para o plantio é necessário paciência, cuidados, intuição. Entre a semente e a flor há o tempo que transcorre por entre meu eu.

Dentro de você também há um enorme jardim pronto para ser cultivado. 
Pois bem... Não o deixe abandonado. Plante, regue, adube!  Somos solo fértil, por isso é preciso cuidado com o que semeamos.

Procure limpar esse espaço, tirar as ervas daninhas que teimam em brotar em alguns momentos, é importante fazer a poda de alguns pensamentos e sentimentos.
Faça um macerado de ervas para a rega, adube com seu rezo, sua fé.

Ao longo do caminho sempre haverá alguém disposto a visitar esse jardim, mas você não sabe quem chega. Talvez  seja alguém leve, sorridente, trazendo novas sementes, ou talvez venha alguém com os pés cansados, os olhos baços e o coração triste e será preciso que você lhe oferte flores, aromas, cores, sabores, a fim de lhe restaurar o ânimo.

Quem sabe você não sirva de estímulo para que outros jardins sejam preparados, semeados e cuidados?

Bora lá semear?

(Thiago A.G.)

(Foto: Arquivo pessoal)

                         

domingo, 3 de janeiro de 2021

A simplicidade de um instante

Quero viver do instante, dos pequenos detalhes que preenchem e dão forma ao meu dia.

Das risadas que dou, dos sorrisos que me chegam.

Quero viver das travessuras do meu neto mais novo e da ternura que emana do mais velho.

Viver das memórias afetivas que guardo dos meus pais.

Do sorriso largo e acolhedor da minha filha, do olhar sonhador do meu filho, que ama observar o céu.

Das gargalhadas entre eu e meus irmãos e tantas outras coisas que dão forma a minha história.

Quero viver do amor que me chega em pequenas porções, várias vezes ao dia.

Do céu que sempre me brinda com uma tonalidade diferente, do canto dos pássaros, do cheirinho de café fresco logo pela manhã.

Porque a vida acontece assim - nos detalhes que fazem parte da minha rotina - nas miudezas, que às vezes, nem percebo.

Meus pequenos milagres, bálsamos que minha alma  recebe da vida, que somados fazem toda diferença e tudo valer a pena.

(Fotos do meu filho: Thiago A.)

Que 2021, fortaleça em nós o que 2020 nos ensinou: o valor de cada instante vivido. 
Que possamos valorizar cada segundo, cada pequena benção que nos chega.
Não perder a capacidade de nos encantar com a beleza - simples e natural - que nos cerca. 
E que não deixemos para amanã, todo amor e todo bem que podemos fazer hoje.

Feliz novo ciclo!






domingo, 6 de dezembro de 2020

OUÇA A MELODIA

Dezembro chegou e com ele, última postagem do ano aqui no blog.
Caneta e papel na mão começo rascunhar algumas ideias, mas a cada uma, outra surge, algumas me contradizendo e questionando, outras indo na via contrária a ideia inicial - escrever algo leve e alegre, talvez um tema natalino - e esse motim de ideias me trazem reflexões, insigths, memórias e uma folha cheia de frases rabiscadas e pontos de interrogação.
Me vejo tentando escrever algo em dissonância com o que sinto e se não vem do coração, não flui.
Não é que eu esteja triste, tenho tantos motivos para ser feliz e grata, mas minhas supostas ideias iniciais se transformam em retrospectiva do ano atípico e difícil que tivemos.

Eu sempre adorei dezembro por conta do Natal, ver as ruas e casas com suas luzes e enfeites coloridos, mas esse ano penso nas  perdas que ocorreram por conta da Covid,  nas famílias que não puderam abraçar seus entes na derradeira despedida. 
Meu genro mesmo, se despediu do pai sem poder dar o último beijo ou fazer um último afago. 
Mas, em contrapartida, também me surge a mente os gestos de solidariedade, os ouvidos prontos para uma escuta amorosa, lábios que consolam, preces que se uniram em uma vibração de fé e amor.

Esse foi um ano onde nos recolhemos, tivemos que nos resguardar, nos permitir ficar vulneráveis, transformar nosso olhar em abraço e em sorriso,  ressignificar a forma de ver e sentir o mundo a nossa volta. 
E enquanto escrevo, lembro o trecho de uma música de Oswaldo Montenegro: "Não pense que o mundo acaba ali aonde a vista alcança. Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança."

Por tudo que esse ano foi e significou eu desejo que nos dias que antecedem o Natal, você ouça a melodia. 
Ouça a melodia da vida te convidando a viver sua potência interna, a abraçar os seus amores, dizer a cada um como são importantes, o quanto você os ama e é grato por compartilhar sua vida com eles.
Que você se preocupe menos em dar presentes e se ocupe mais em ser presença.
Desejo que dançe, ame, alargue seus horizontes internos.
Que ande nos teus caminhos com fé - no teu ritmo e tempo -  respeitando teus ciclos, tuas emoções, permitindo que a vida flua através de você, com muito amor e gratidão.

"As flores dos flamboyants, dentro de poucos dias terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando..."  (Rubem Alves)

Um natal de paz e saúde a cada um que passa por aqui!

terça-feira, 3 de novembro de 2020

NOVEMBRO

Novembro, para mim, é um mês especial.
Mês em que celebro meu aniversário e aniversário dos meus dois filhos. 
Me olho no espelho e me surpreendo com uma nova manchinha na pele, um novo fio de cabelo branco - que eu ainda teimo em pintar - mas hoje,  o que mais me causa espanto não é a imagem que o espelho mostra  e sim, todas as mudanças internas que aconteceram.
Mudanças que foram mais  acentuadas nos últimos dez  anos, que aconteceram aos poucos, com a típica questão íntima: Quem sou eu?
Quem é essa que fala pela minha boca e se expressa através dos meus sentidos?
Quem é essa mulher que me olha diariamente? Quais são seus sonhos, suas vontades?
Foi assim que deu início o resgate da minha essência. No início eu queria me desfazer da versão antiga como alguém que troca de roupa e isso só me trouxe mais frustração, estava caindo no mesmo erro de antes, só que dessa vez não para agradar alguém ou evitar contendas, mas sim, para me desfazer da mulher que não me agradava ser.  Demorei um tempo para perceber que não bastava decidir mudar, que toda mudança pessoal acontece aos poucos e o mais importante, era preciso um resgate feito de forma delicada e amorosa, era preciso agradecer,  perdoar e amar a cada uma que eu havia sido até ali.
Um percurso longo e que me ensinou muito, principalmente, que antes de me doar eu preciso aprender a me encontrar,- se eu não souber quem sou, aceito aquilo que querem que eu seja. E eu não quero ser o molde pensado e desenhado por outra pessoa.
Hoje, sou autora da minha própria história e faço meu caminho, onde a cada passo aprendo, a cada queda me levanto, a cada erro me perdoo, a cada dor me acolho. 
Fácil? Não, às vezes dói muito, pois algumas situações me colocam de frente com meu lado sombra, com minhas dificuldades internas que precisam ser trabalhadas para que eu continue meu processo de evolução mental, emocional e espiritual.
Mas isso já é assunto para uma outra postagem. Por hoje, eu celebro cada conquista com alegria de ser quem sou.
Festejo a mim!