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sábado, 10 de outubro de 2020

SINAIS

Domingo retrasado, enquanto preparava meu café da manhã, pensava numa questão que havia acontecido durante a semana e me deixado chateada.
Analisava como algumas posturas alheias refletem em nós e nas nossas emoções, me questionava o que aquela situação queria me ensinar para que tivesse encontrado eco dentro de mim e me tirado do ponto de equilíbrio. 
Quanto mais algo me irrita, mais eu percebo que ali tem algo para eu aprender, principalmente quando é algo recorrente, afinal, a lição só acaba quando eu realmente aprendo o que ela veio me ensinar. 
Aprender não sobre o outro, mas sobre quem sou e como preciso melhorar internamente, acolher minhas emoções, meus conflitos, para só então, elaborar determinada questão e as lições que ela me trouxe.
Enquanto refletia, me veio a mente uma oração indígena, da qual eu lembrava apenas o primeiro trecho - que pronunciei em voz alta, feito um mantra - enquanto terminava de tomar meu café. Depois, fui cuidar dos meus afazeres e não pensei mais no assunto.
A tarde, eu e uma amiga de muitos anos, conversávamos por ligação, uma prática que veio com a quarentena e se tornou comum aos domingos. Até comentamos que nossas ligações tem sido uma espécie de terapia, pois compartilhamos coisas do cotidiano e vários sentimentos, o que tem nos rendido valiosas reflexões.
Durante nossa conversa partilhei com ela o que tinha acontecido na semana, em resposta ao meu desabafo, ela recitou algumas palavras.
Falei que as palavras não me eram estranhas, ela então explicou que eram de uma prece indígena.  No mesmo instante a prece tomou forma em minha mente, a mesma prece que eu havia lembrado pela manhã, só que em trechos diferentes.
Acredito que o Universo sempre nos manda sinais, por isso precisamos estar atentos.
Entendi que a coincidência era um sinal para eu me lembrar da energia que há nas palavras e nas intenções. Que frente algumas questões, o mais sábio é calar e me afastar, para não  dizer ou fazer algo que depois me traga arrependimento.
Agradeci minha amiga pela amizade tão querida e por ela ter sido o canal para que eu compreendesse isso. 
Desde então, tenho feito a prece diariamente e hoje, compartilho com você que passa por aqui, espero que ela seja para você um sopro de energia e paz, assim como tem sido para mim.

PRECE DO BELO CAMINHO

Hoje sairei a caminhar

Hoje todo mal há de me abandonar

Serei tal como fui antes

Terei uma brisa fresca a percorrer-me o corpo

Terei um corpo leve

Serei feliz para sempre

Nada há de me impedir

Caminho com a beleza à minha frente

Caminho com a beleza atrás de mim

Caminho com a beleza abaixo de mim

Caminho com a beleza acima de mim

Caminho com a beleza ao meu redor

Belas hão de ser minhas palavras

Belas hão de ser minhas palavras

Belas hão de ser minhas palavras

Obs.: A Prece do Belo Caminho é pronunciada todas as manhãs pelos Índios Navajos dos E.U.A., antes de saírem para sua jornada diária para que esta seja abençoada!

                                  (Foto: Silvio A.)



terça-feira, 22 de setembro de 2020

GESTAÇÃO INTERNA

 "Sempre a primavera, nunca as mesmas flores". (Ditado chinês)


Hoje acordei sentindo dores e surpresa percebi que estava prestes a parir.
Havia tempos que sentia um desconforto interno, um misto de emoções, uma fome de novos saberes, desejo por novos sabores.
Gestar a si mesmo dói, porque há todo um caminho a ser trilhado e muitos tropeços durante a caminhada.
Sabedoria, desapego, perdão, amor próprio, superação, coragem... é um pouco do que esse caminho reserva, é um pouco do que ele pede.
E não se pode ter pressa, há de  respeitar os ciclos, a fim de não se perder de si mesma.
Talvez eu tenha me perdido em algum trecho do caminho tomada pela pressa em chegar ao centro do meu universo íntimo. Não percebi que dentro de mim já germinava uma nova vida, que eu alimentava com minha seiva sagrada.
Mas confiante, me permiti receber essa outra mulher que mora dentro de mim.
Fechei os olhos, fiz um rezo e procurei auscultar meu coração, não havia risos, choros, lembranças, indagações. 
Nenhum ruído mental, apenas o meu eu, num silêncio profundo que se fez por dentro.
Aspirei profundamente o ar enchendo os pulmões. Senti a vida tão plena em mim, mansa, serena, madura.
Me entreguei e confiei.
O parto foi fluindo naturalmente, leve, mágico, pulsante. 
Me curando, me nutrindo, me libertando!
E eu, na maturidade dos meus quase 54 anos dou a luz e essa luz reverbera por todo meu ser.
Floresço em mim - renascimento - me celebro primavera, com honra e gratidão!


(Foto pessoal)



domingo, 23 de agosto de 2020

CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL


                                             
Estou sempre lendo que estamos vivendo um momento que nos convida a profundas reflexões. Eu também penso assim - embora eu possa refletir em qualquer tempo e lugar -  é diante de tudo que estamos vivendo que mais me voltei para dentro.
Num desassossego interno, me questionando sobre o que tenho feito para tornar o mundo em que vivo um lugar melhor.
Quando eu falo mundo, não me refiro apenas ao planeta, mas sim, todos os âmbitos que transito.
Meu lar, meu trabalho, minha relação com o outro, comigo mesma e com a minha espiritualidade.
Percebo que além dos muitos questionamentos, também tenho me emocionado mais ultimamente, houve semanas em que chorei praticamente mais de uma vez, eu, que raramente chorava.
Mas não pense você que é porque não estou bem ou deprimida, apenas sinto que minha sensibilidade está a flor da pele e que as dores do outro tem me tocado de uma forma muito mais intensa.
Uma pessoa me disse, um dia desses, que sempre houve perdas, mortes, dores. Sim, sempre houve, então porque  agora sinto tanto isso dentro de mim?
Neste momento em que estou aqui escrevendo, percebo que é minha alma que tem chorado. Chorado a dor de tantas perdas que estão acontecendo, onde muitos perderam a vida, outros trabalho, saúde, familiar, amigo - entre tantos outros - que perderam o afeto, a empatia, o amor ao seu próximo.
Choro, me entristeço e minha consciência espiritual grita, num convite diário para que eu possa rever o que penso, falo, sinto e principalmente como estou agindo, comigo e com o outro.
Compreendo que não basta apenas ampliar minha consciência para que eu me torne uma pessoa mais espiritualizada, preciso transformar essa consciência em ações no meu dia a dia.
Não basta apenas dar algo material aqui e ali, eu preciso dar algo de mim mesma e para isso preciso rever conceitos, transformar, criar, renovar,  passar a limpo o meu eu interno.
Eu, que sou só um rascunho do que posso ser diante das inúmeras potencialidades com que Deus me criou. Preciso urgentemente me reconstruir e melhorar minha versão inacabada.

Finalizo minha participação na blogagem proposta pela Rosélia,   com Caio Fernando Abreu:

"E nessa estrada quero achar gente doce, límpida, verdadeira e disposta.
Quero topar com luz, despego e paz."


                           Foto de Adriele G.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

TRANSBORDAR

Transbordo!
Alegria
Dor
Sonhos
Amor
Silêncios
Delicadezas
Saudades...
Escorrem através de
Palavras
Gestos
Lágrimas
Sorrisos...
Expressões do corpo e da alma
Me deixo inundar
A fim de me preencher e  novamente
Transbordar!


(Foto: Silvio N.A.)

Estou vivendo uma fase de muitos questionamentos, analisando o que de fato tem importância e o que preciso desapegar, melhorar, transformar.
E todos questionamentos tem feito transbordar do meu peito, inúmeros sentimentos
Esse verter interno tem sido gota a gota, mas essa lentidão não me incomoda, pela primeira vez em alguns anos não sinto pressa em resolver minhas pendências emocionais.
Está me fazendo bem essa morosidade, me dá tempo para compreender e acompanhar as pequenas mudanças que estão acontecendo.
Finalizar de vez alguns ciclos, que teimosa, continuei a alimentar.
E assim, vou indo, sem remar contra a maré que invade todo meu ser e deságua lentamente - mas de forma continua e intensa - aceito e agradeço esse movimento que acontece e no qual me revelo a mim mesma.
No qual dou voz a minha intuição e a minha verdade.
E me aceito assim, de cara lavada, despida de todo e qualquer julgamento, me
preparando para uma nova fase, que com certeza está surgindo.

domingo, 21 de junho de 2020

CHAMADO INTERNO

Silenciar!
Ouvir o coração, perceber as emoções, auscultar a vibração da alma.
Fechar os olhos e se voltar para dentro de si, sem medo de vasculhar memórias e entrar em contato com sua história.
Para conhecer a luz é preciso desbravar as sombras.

Acolher!
Se dar as mãos.
Retornar a casa interna em busca de suas raízes.
Manifestar amor, compaixão, empatia, gentileza, bondade, alegria.
Somos o que sentimos e pensamos, tudo que se passa no interno tem reflexo no externo.

Celebrar!
A vida, a sacralidade do ser.
O fim de um ciclo e o início de outro.
A capacidade de reinventar, de recomeçar todos os dias.
A semente que vence as adversidades e se lança ao encontro da luz.
Curando o passado, honrando o presente e lançando de si novas sementes.

Deixar ir!
O "antigo eu". 
Soltar as cascas, as amarras.
O que não acrescenta, o que limita, aprisiona.
Tudo que envelhece os olhos e a alma.

Despertar!
Se reconectar com sua natureza íntima.
Ouvir o chamado interno de retorno ao lar.
Trilhar o caminho de volta para casa.
É assim que a cura começa...

                                (Foto: Angela Adriano)


segunda-feira, 25 de maio de 2020

ALMA CIGANA

Tem umas duas semanas sonhei com uma cigana que dançava com muita leveza e alegria, ao observar seu rosto fiquei surpresa, ao reconhecer nela, o meu próprio rosto.
Acordei com uma agradável sensação de bem estar, ao procurar na memória detalhes e significado para o sonho senti vontade de escrever e registrar o que estava sentindo.

Ontem, ao pensar em preparar um novo post lembrei do que havia escrito e decidi que seria a nova postagem.
Para ilustrar a postagem eu poderia pegar uma imagem na internet, mas desejei algo mais fiel a sensação que o sonho me deu.
Por isso, não pensei duas vezes, contei o sonho e ideia ao meu neto Kalel vesti uma roupa mais alegre, peguei um lenço e saí rodopiando pelo quintal.
Foi uma sensação muito boa, sem contar que o neto se divertiu, assistindo e fotografando.

Então, hoje te faço um convite:
Feche os olhos, aguça os sentidos e dance comigo!

                                                                                       
"Oh, alma Cigana! Rodopiando ao som do vento, em meio a cores e aroma de  alecrim.
Reverbera aos meus sentidos, tua energia de luz e alegria.
Assim, vou desatando nós, me desfazendo de rótulos, liberando  compartimentos internos e deixando o ar movimentar a energia estagnada.
Desapego. Perdão. Aceitação. Liberdade!

Oh, alma Cigana! Alimenta minha intuição, o despertar das minhas faculdades internas, minha conexão com a mãe terra e com o Sagrado que habita em mim.
Que eu me preencha dessa tua fluidez, dando asas a minha espontaneidade, aos meus sonhos - gestando novas formas  e parindo nova mulher - cada vez que se fizer necessário.
Purificação. Transformação. Renascimento!"

domingo, 3 de maio de 2020

PALAVRAS-SEMENTES

E as palavras caminham por aí, como transeuntes sem rumo.
Algumas cheias de incertezas, medo, raiva.
Outras prontas para falar de amor, esperança, luz.
Tropeço várias vezes ao dia em várias delas - escritas ou faladas - algumas são como gritos aos meus ouvidos, machucam minha sensibilidade. Vazias, desprovidas de bom senso, rudes, disseminando o medo e a raiva.
Outras me chegam tão mansas, espalhando bondade, fé, dando alento ao meu coração.

É certo que escolho ler e ouvir o que me agrada, que condiz com meu pensamento, minha crença, mas é certo também que todas elas estão aí, aos montes e querendo ou não chegam até mim.
Nessa hora preciso silenciar e usar meu filtro interno, para acolher só aquelas que me representam.
E eu que já não vejo noticiário na TV há muito tempo, tenho me poupado de ver também pela internet.
Pois como escreveu Rubem Alves:
"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos."

Que saibamos, diante de tudo que está acontecendo, usar as palavras com sabedoria.
Não deixando a dureza do outro impedir nossa delicadeza com a vida, com o próximo e consigo mesmo.
Sejamos condutores de palavras amenas, que confortam, revigoram, acolhem.
Vamos espalhar palavras-sementes, perfumadas, leves, coloridas e melhorar os olhos de quem passa por nós...

(Sônia)
                               Foto de Roze A.