Quem sou eu

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O grupo Mulheres 4 Estações,nasceu do encontro de ideias de 3 mulheres, ao perceberem em si o quanto é prazeroso e enriquecedor a troca de vivencias, já que tantas vezes nos reconhecemos no pensamento e sentimento alheio. Então veio o desejo de compartilhar essa experiencia com outras mulheres..... e assim como a natureza se reveste das estações para se revelar aos nossos olhos,nós nos revestimos do falar e ouvir, para nos revelar a nós mesmas.........

domingo, 1 de setembro de 2019

INTEIRAMENTE

Não, eu não quero uma vida em preto e branco. Eu quero uma vida repleta de cores, amores, sorrisos.
Quero colher ternuras nos meus dias, com a simplicidade de alguém que recolhe a roupa do varal num dia de sol.
Quero ser capaz de regar a minha vida - a sua e de tantos outros - com muito amor.
A vida é muito curta para ser deixada em segundo plano, ao acaso.
Por mais que algumas noites sejam longas e escuras, não quero nunca deixar de acreditar que o sol nasce pela manhã, trazendo luz e novas oportunidades.
Quero chão sob meus pés, quero o vento despenteando meus  cabelos e soprando na minha cara lavada.
Quero a vida pulsando, não apenas no meu peito em ritmo de tic-tac. Quero que ela pulse na minha alma - nas minhas emoções, na minha voz, nas minhas mãos - como o som que sai do tambor - forte, cadenciado, vibrante.
Ando cansada do marasmo de sentir pequeno, de calar o que penso e sinto, de fazer a santa.
Quero o eco para a poesia que grita por meus sentidos.
A efervescência para os sonhos que acalento.
Quero a vida! Transbordando de mim, para mim.
Porque ninguém merece viver pela metade.

(Sônia A.)

(Foto de Euclides)



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL


Ao visitar o blog da amiga Roselia, https://www.idadeespiritual.com.br, senti vontade de participar da blogagem coletiva em comemoração aos 10 anos do seu espaço e antes mesmo de avisá-la da minha participação, comecei a pensar sobre o que poderia escrever.
O que de fato descreve a inteligência espiritual? Sei que cada um tem a sua, numa percepção mais ou menos apurada, já que cada ser está num patamar de evolução e de entendimento.
Também sei, que ela independe da religião. Mas quanto a mim, o que a resume?
Seria a necessidade que tenho de me ligar ao alto, sentir o contato com minha essência criadora?
Acredito que quando não alimentamos a fofoca, a maledicência, as tristezas e procuramos levar alegria, otimismo, ânimo e amor aos que nos cercam, espalhando o desejo de renovação a outros corações,  estamos usando a inteligência espiritual.
A sabedoria do amor de Deus, que habita em nossa essência e  se manifesta através das nossas ações.
Também podemos usar dessa nossa inteligência para expandir nossa consciência e ver o mundo como um todo e não apenas a parcela do que estou vivendo e sentindo no momento.
Filtrar o que realmente tem importância, se algo me acrescenta ou me contamina e perceber que muitas vezes, alguns lugares (ou pessoas), já não me cabem.
Finalizo minha participação com uma citação de Mia Couto:

"Ainda lembrei de suas palavras amadurecendo uma esperança para mim quando eu de tudo descria:
Não vê os rios que nunca enchem o mar? A vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver."
(Mia Couto - O Ultimo Voo do Flamingo)






                                                                                                  







sexta-feira, 2 de agosto de 2019

VOO

Hoje ao acordar, achei que era pássaro.
Abri a janela, aspirei o ar da manhã e me preparei para o voo.
Ao tentar abrir as asas veio o susto, onde estavam?
E minhas penas coloridas, quem as arrancou?
Sinto medo!
O que é de um pássaro sem suas asas e sem suas penas?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao acordar, desejei ser pássaro.
Sentar no parapeito da janela, olhar a vista, bater asas e voar.
Leve, livre, enfeitando o ar com minhas penas coloridas.
Mas sei que não há como ser pássaro, o desejo é apenas uma metáfora que minha alma usa para mostrar o seu ensejo de liberdade.
Sinto medo!
O que é alguém que não se sente capaz de alçar os próprios voos?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao despertar, decidi ser eu mesma.
Dona da minha vontade e autora da minha história.
Não permitir que outros me tolham o voo, me cortem as asas e apaguem minhas cores.
Sinto coragem!
O que se torna alguém que luta por seus sonhos, suas vontades e por viver sua essência?
Um ser completo e feliz.

Voo.
Por espaços esquecidos dentro de mim.
Me pertenço.
Me aceito.
Me liberto.
Sou livre, enfim!

Sônia A.

                          (Foto de Rose A.)

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A ÁRVORE QUE FLORESCE NO INVERNO

Os sinais eram inequívocos. Aquelas nuvens baixas e escuras... O vento que soprava desde a véspera, arrancando das árvores folhas amarelas e vermelhas. É, o inverno estava chegando. Deveria nevar. Viriam então a tristeza, as árvores peladas, a vida recolhida para funduras mais quentes, os pássaros já ausentes, fugidos para outro clima, e aquele longo sono da natureza, bonito quando cai a primeira nevada, triste com o passar do tempo... 
Resolvi passear, para dizer adeus às plantas que se preparavam para dormir, e fui, assim, andando, encontrando-as silenciosas e conformadas diante do inevitável, o inverno que se aproximava. E foi então que me espantei ao ver um arbusto estranho. Se fosse um ser humano certamente o internariam num hospício pois lhe faltava o senso da realidade, não sabia reconhecer os sinais do tempo. 
Lá estava ele, ignorando tudo, cheio de botões, alguns deles já abrindo, como se a primavera estivesse chegando. 
Não resisti e, me aproveitando de que não houvesse ninguém por perto, comecei a conversar com ele, e lhe perguntei se não percebia que o inverno estava chegando, que os seus botões seriam queimados pela neve naquela mesma tarde. 
Argumentei sobre a inutilidade daquilo tudo, um gesto tão fraco que não faria diferença alguma. Dentro em breve tudo estaria morto... E ele me falou, naquela linguagem que só as plantas entendem, que o inverno de fora não lhe importava, o seu era um ritmo diferente, o ritmo das estações que havia dentro. 
Se era inverno do lado de fora, era primavera lá do lado de dentro dele, e seus botões de flor eram um testemunho da teimosia da vida que se compraz mesmo em fazer o gesto inútil. As razões para isso? Puro prazer. 
Ah! Há tantas canções inúteis, fracas para entortar o cano das armas, para ressuscitar os mortos, para engravidar as virgens, mas não tem importância, elas continuam a ser cantadas somente pela alegria que contêm... 
E há os gestos de amor, os nomes que se escrevem em troncos de árvores, preces silenciosas que ninguém escuta, corpos que se abraçam, árvores que se plantam para as gerações futuras, lugares que ficam vazios, à espera do retorno, poemas inúteis que se escrevem para ouvidos que não podem mais ouvir, porque alguma coisa vai crescendo por dentro, um ritmo, uma esperança, um botão pela pura alegria, um gozo de amor. E me lembrei de um pôster que tenho no meu escritório, palavras de Albert Camus: "No meio do inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível". 
E aí a alucinação teológica tomou conta da minha cabeça e me lembrei de uma velha tradição de Natal, ligada à árvore. As famílias levavam arbustos para dentro de suas casas. E ali, neve por todas as partes, elas os faziam florescer, regando-os com água morna. Para que não se esquecessem de que, em meio ao inverno, a primavera continuava escondida em alguma parte. 
Inverno: o frio, a neve, o silêncio, a morte. 
Quando as plantas florescem na primavera, ali os homens escrevem os seus nomes. Mas quando as plantas florescem no inverno, ali se escreve o nome do Grande Mistério... 

(Rubem Alves)

                                    (Foto de Rose A.)

terça-feira, 18 de junho de 2019

NÃO DESISTA DE VOCÊ

Em cada esquina eu buscava um alívio para meu sofrimento. Por dentro era escuro, dor, tormento.
Buscava nos olhares mais tristes que o meu, uma única esperança. No farol, um olhar ingênuo avistei, vindo de uma criança. 
Me olhou com olhos de compreensão, reconheceu a dor que eu  sentia em minha alma e no meu coração. 
Com um gesto simples, humilde, sorriu. Disse que um pouco de dinheiro adquiriu e que comida ele ia comprar. Nesse dia, sua família ele iria sustentar.
Naquele momento pude perceber, em algum lugar vai haver, alguém que sofre mais que eu e você.
Você que está lendo, não sofra, pois tem mais corações aflitos.
Siga em frente com um lindo sorriso, se encoraja, alivie seu coração. Peça pra Deus, Ele entenderá sua oração.
Todos passamos por momentos difíceis na vida - não desista, persista, insista até alcançar - a luz que da escuridão te livrará.

(Thiago A.G.)

                       (Foto de Taís F.)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

RUÍNAS

Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro (O olho do monge estava perto de ser um canto). Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”. E o monge se calou descabelado.
(Manoel de Barros)
                                                 (Imagem:Google)

terça-feira, 28 de maio de 2019

"A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores."
(Teixeira de Pascoaes)

                          (Foto de Rose A.)

                           COR(AÇÃO)

Conheço uma pessoa que por anos viveu um relacionamento abusivo, permeado por 
medo, dor e muitos conflitos internos.
Em todo esse tempo nunca deixou de sonhar, fazendo planos e tecendo histórias com final feliz.
Enfim, o tempo passou, as filhas tornaram-se  independentes e ela tomada de coragem e esperança, resolveu que era o momento para dar um basta e traçar para si um novo caminho.
Pegou suas coisas - roupas e alguns utensílios pessoais - fechou a porta e saiu sem olhar para trás.
No começo parecia um bichinho acuado, mas aos poucos o seu entusiasmo pela vida foi lhe dando forças para seguir adiante e não esmorecer.
Alguns anos se passaram e o universo conspirou para que ela conhecesse alguém, uma pessoa boa que cuida dela com muito respeito e amor.
Ela ainda carrega marcas que o tempo não foi capaz de apagar, mas escolheu continuar sorrindo ao invés de ficar chorando e se lamentando.
Ainda que tenha vivido dias cinzentos e de chuva fria, ela ousou ser cor.
E eu que tenho minha vida entrelaçada a dela, sei que mesmo com tantos problemas ela sempre arrumou tempo para auxiliar outros a sua volta.
Afinal - para colorir a alma - é preciso se esvaziar de si e colorir com o coração.
                       (Sônia A.)