Quem sou eu

Minha foto
Porque somos feito as estações, sempre mudando...

quarta-feira, 2 de junho de 2021

SILENCIAR

"Eu sei que você está cansado.  Mas vem, esse é o caminho." (Rumi)


                           (Foto: Roze A.)                                               

Ultimamente tenho me sentido cansada, desejosa de silêncio. Aquele silêncio que me permite reconectar com meu eu, e quando falo em silêncio não me refiro apenas ao externo, mas o silêncio que me permite olhar pra dentro. 

Tenho tentado dar conta de inúmeras coisas e de vez em quando me vem a sensação de que são bem mais do que sou capaz de gerenciar. 
Na verdade tenho tentado cuidar mais do outro do que de mim, na loucura de achar que por muito amar, consigo privar o outro da frustração, da decepção.

Sempre falo que não devemos carregar a mala alheia, que cabe ao outro aprender lidar com as dificuldades do caminho, que eu posso sim ajudar, mas não entrar na tempestade alheia. Só que quando esse outro é alguém muito próximo, fica difícil não me envolver.
Ainda que eu tenha total consciência de que aquele fardo não é meu teimo em sair arrastando a mala ladeira acima.

Com isso, os ombros pesam, a insônia chega e a mente e o emocional vão dando sinais de cansaço.
Percebo que é o momento de me recolher, de aceitar que eu não tenho que ser forte o tempo todo, eu não tenho que estar sempre pronta a consolar o outro, a fazer pelo outro, a me doar tanto. Eu preciso também olhar e fazer por mim.

Tiro a armadura, respiro fundo, reconheço que sou corpo que sangra e que tudo bem não dar conta de tudo.
É hora de me esvaziar, de soltar o ar e me dar um refresco interno, uma pausa, um acalento.
Me banhar com ervas colhidas no quintal, me energizar. 
Respeitar o tempo, e meu tempo é aqui dentro de mim. 
Desacelero, solto a mão do controle e deixo fluir...


30 comentários:

  1. Ahhh que lindo minha amiga, como muitas vezes assumimos papéis do outro, quantas vezes queremos minimizar da melhor maneira possível a dor dos que amamos.
    Mas cada um tem suas responsabilidades e seus aprendizados. Não temos como trilhar pelo outro o caminho que ele tem que percorrer. Assim vem o cansaço justamente por assumir papéis que não nós competem. Muito importante nos conectar conosco, nos permitir relaxar porque alguns papéis infelizmente ou felizmente mesmo não tem como não vivenciar. ❤️🥰

    ResponderExcluir
  2. E o melhor é isso mesmo: Deixar fluir...
    .
    Abraço poético.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

    ResponderExcluir
  3. Boa tardinha de paz, querida amiga Sônia!
    Que descobertas cheias de sabedoria!
    Também sinto a hora de tomar meu banho de ervas, tirar pesos de mim.
    Tem efeito terapêutico e influi em nosso ânimo sim. Um simples sal grosso alivia dores e, com ervas, traz benefícios inúmeros.
    Assim como gosto muito de chás, faço uso dos mesmos com fé. Remédios inúmeros são feitos de ervas.
    O autoconhecimento favorece termos ciência dos nossos limites.
    Estou com tempo hábil de me cuidar também. É preciso, amiga.
    Foi tão bom ler tudo aqui, confirmou o que penso também.
    Tenha um feriado abençoado!
    Beijinhos carinhosos e fraternos

    ResponderExcluir
  4. Depois de ler e reler, pensei que sou um privilegiado por essa oportunidade de apreciar uma parte do belíssimo em toda a arte. Penso que essa realidade seja a de tantos e tu trás uma resposta, para tantas perguntas de muitos. Eu gosto muito do que tu é, te acho gente que me importa muito e com a delicadeza da poesia - nesse texto filosófico e poético, mostra o sol, porque luz, é tudo o que o mundo precisa.
    Sou hoje mais teu fã, do que já era.
    Um grande beijão no coração!

    ResponderExcluir
  5. Olá, Sónia!

    Seus textos são um deleite para nossos sentidos. Me fazem refletir e agir, logo que seja possível.

    Se uns reivindicam barulho e movimentação, outros necessitam de silêncio exterior e interior.
    Não podemos carregar nossas preocupações e as dos outros, embora o desejássemos, mas nós temos de nos sentir bem para poder carregar a tal mala de que fala, mas não podemos esquecer a nossa, prioritariamente.

    A natureza nos oferece muitos benefícios que devemos aproveitar.

    Beijos e dias com paz e silêncio.

    ResponderExcluir
  6. Boa noite Sônia! Este é o dilema de todos os que desejam fazer o bem...não carregar fardos alheios como seus, não sofrer o sofrimento do outro e, principalmente, não culpar-se por não poder fazê-lo. Cada um tem sua jornada e suas lições. Mas a paz interior não é algo que se tem...é algo que se mantém, todos os dias trabalhando nela. Tarefa pra uma vida toda...ou muitas vidas...
    Um carinhoso abraço!

    ResponderExcluir
  7. Que delicadeza de texto, Sonia, é um convite para refletirmos, nos posicionarmos diante das "malas" que muitas vezes acreditamos só nós podemos carregar. É bem assim, todos merecem um banho restaurador e a mente serena.
    Parabéns, adorei, abraço!

    ResponderExcluir
  8. Olá Sônia
    Silenciar é preciso, dar uma pausa e seguir... desejo um ótimo final de semana. Bjs querida.

    ResponderExcluir
  9. Excelente crónica. Por vezes temos mesmo de deixar fluir o que nos rodeia e desprendermos e esquecermos um pouco, os fardos alheios, embora por vezes não seja fácil tomar essa posição.
    Todos necessitamos de encontrar a nossa paz interior, para recarregar as baterias.
    Bom fim de semana
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  10. Olá Sonia
    Aprendi que não é egoismo me cuidar antes de cuidar do outro.
    Elogio o seu texto.
    Gostei imensamente.
    Um carinhoso abraço
    Verena.

    ResponderExcluir
  11. Belíssimo texto! É mesmo um convite para reflectir...já cuidei muito dos outros mesmo sem pensar em mim,fico sempre para último. O melhor é mesmo deixar fluir amiga.
    Beijinhos, tudo de bom.

    ResponderExcluir
  12. Olá Sônia,
    É um grande peso carregar o fardo dos outros e quando só vivemos em prol de fazer os outros felizes a vida torna-se muito cansativa.
    Você tem mesmo que estar só consigo e tentar encontrar no silêncio a resposta para esta fase mais desafiante que está a passar.
    Desejo que encontre a solução certa e, principalmente, que a faça feliz, pois se não estivermos bem connosco não podemos estar bem com os outros.
    Um beijinho grande!

    ResponderExcluir
  13. Quase sempre recebemos através daquilo que damos. Mas há um momento em que precisamos de olhar para nós e ouvir tudo o que o nosso silêncio tem para nos dizer e o caminho que tem para nos apontar. Gostei de ler este inspirador texto.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  14. Olá, Sônia,

    Tenho também dificuldades em não assumir os fardos das pessoas amadas próximas. Mas eu tenho consciência de que o melhor é mesmo estabelecer limites, para a preservação do meu próprio bem estar e para que o dono do fardo se fortaleça, carregando-o, ele mesmo.
    Belo texto!

    Beijo

    ResponderExcluir
  15. Maravilha de texto!!
    Bom encontrar algo edificante que faz bem pra alma, nesse torvelinho em que vivemos atualmente. Parabéns pelo Blog. Amei tudo aqui.
    Grande abraço.

    ResponderExcluir
  16. Um belíssimo texto, um convite para parar e olhar para dentro e refletir. Gostei muito.
    Obrigada pelo seu comentário. A paragem no meu blog resulta exatamente dessa necessidade de parar, de dar um tempo. Qualquer dia eu volto. Um beijo

    ResponderExcluir
  17. À tua meditação,
    Procure acalmar a mente
    E sinta o que a alma sente
    Sem qualquer indagação.
    Observe apenas! Não
    Raciocine e sim
    Deixe o teu pensar assim
    À deriva e apenas sinta
    A tu'alma bem distinta
    Da mente, sem nada afim.

    Abraço cordial. Laerte.

    ResponderExcluir
  18. Boa tarde Sônia,
    Uma crónica maravilhosa que muito nos ensina e transmite.
    Dar-se ao outro, sim, mas não nos esquecermos de nós!
    Como em tudo na vida temos que aprender a deixar fluir, sem que isso interfira no amor ao outro.
    Um beijinho e bom resto de semana.
    Ailime

    ResponderExcluir
  19. A vida é cheia de agruras.
    Por vezes é preciso escutar e saber escutar-se, configurar e recomeçar.
    Abraço amigo.
    Juvenal Nunes

    ResponderExcluir
  20. Amar o próximo é uma coisa, mas sobrecarregar-se com preocupações ou ações que só podem ser do outro, não é bom. Devemos ajudar sim, porém há limites. Cada um precisa assumir sua parcela e dar os seus próprios passos.
    Ótimo texto. Respirar e relaxar, deixar fluir. Isso sim faz MUITO BEM.
    Meu carinho

    ResponderExcluir
  21. Querida amiga,
    como entendo você!
    Me vi e me sentibem cada palavra sua.
    Quando o outro é responsabilidade nossa, fica muito difícil não nós envolver, ou até mesmo levar o fardo do outro. Ainda que esse fardo nos absorva completamente.
    Penso nisso, como uma missão a ser cumprida, um ato de amor e doação.Creio que tudo é aprendizado para nos tornarmos pessoas melhores.
    Não estou romantizando ou tirando a responsabilidade do outro; só vejo assim.

    Querida Sônia, desejo que tudo de melhor te encontre e faça morada em seu coração.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  22. É exactamente assim, Sónia.
    Comigo acontece o mesmo. Sempre que alguém está em dificuldades o meu pensamento imediato é: como poderei ajudar? (quem me conhece sabe que isto é verdade)
    E, sem darmos conta, estamos com demasiado peso às costas. E há alturas em que isso sufoca. Então, é preciso respirar fundo, sacudir os ombros e aliviar a carga.
    Gostei muito desta reflexão.

    Bom Fim de Semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderExcluir
  23. Sônia , comungo com seu pensamento .
    É difícil cuidarmos de nós mesmos , em primeiro lugar , quando o nosso próximo necessita de nosso amparo . Mas temos que nos resguardar no silêncio para obtermos forças para velar por eles .
    Agradeço a partilha e sua visita sempre carinhosa ao meu espaço .
    Boa semana .
    Beijos

    ResponderExcluir
  24. Querida amiga Sonia, o tempo de interiorização e reflexões mil e nos embrenhamos neste emaranhado de coisas que nos leva ao labirinto. Amanhã pode ser um novo dia de nossa libertação destas correntes que nos prendem e nos levam à uma especie de decepção.
    Vai passar.
    Um abração amiga.

    ResponderExcluir
  25. As vezes a gente nem quer se envolver, mas é difícil ficar alheia. Ultimamente também tenho me sentido cansada, desejosa de silêncio e de pegar distancia até mesmo de meus parentes próximos, me sinto exausta de tanta coisa sabe. Me identifiquei bastante com tuas palavras.


    https://elfpandora.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  26. Querida Sónia.
    Andamos todos cansados e carentes de silêncio introspetivo...

    Venho despedir-me porque vou iniciar férias grandes de veráo.
    Tenho um 'post' de um ballet andaluz de que vais gostar...
    No 'Refugio dos Poetas' cantei o mar, de novo...

    Desejo a si e aos seus um bom inverno, com mais liberdade, apesar da máscara...
    E esperemos com paciência, o fim deste Carnaval...
    Abraço de boa amizade.
    ~~~~

    ResponderExcluir
  27. Boa tarde Sónia,
    Necessitamos por vezes fazer esse exercício introspetivo e pensar em nós, porque para nos darmos aos outros passa também por nos amarmos.
    Só assim a nossa disponibilidade será mais profícua e o cansaço não nos abalará tanto.
    Um beijinho e um mês de Julho bem tranquilo.
    Ailime

    ResponderExcluir
  28. Belíssima reflexão, com a qual muito me identifico... no momento tenha a saúde da minha mãe, muito dependente dos meus cuidados... particularmente desde o início desta pandemia... por isso... "os ombros pesam, a insônia chega e a mente e o emocional vão dando sinais de cansaço..." como estas palavras fazem todo o sentido para mim...
    Estamos com a pandemia em alta... mais uma vez desmarquei exames e consultas da minha mãe, por precaução... exames de proximidade feitos por pessoas de uma faixa etária que ou não estão ainda por cá vacinadas, ou têm a vacinação incompleta... o que para a variante Delta, é quase o mesmo que nada.
    E depois os equipamentos dos exames... muitas vezes entregues pouco tempo antes, do doente anterior... como é o caso do Holter de 24 horas... como saber se estão devidamente desinfectados?...
    Já apanhei a vacina... mas continuo com os cuidados de sempre... duas mascaras em simultâneo... tudo o que entra em casa é devidamente desinfectado... desde compras a roupas...
    Ando mesmo cansada... e continuo a não ver alternativa, para agir de uma forma menos cuidadosa...
    O tempo não rende para nada... e sinto que muitas coisas se vão acumulando por fazer, nesta realidade paralela que a pandemia gerou... mas não abdico, das habituais rotinas de prevenção caseiras, que até ao momento... quase me levam à exaustão... mas que muito provavelmente evitam-me problemas de saúde, dentro de casa, nos tempos que correm...
    Mas pelo menos, sei que as minha insónias, advêm de preocupação... e não de problemas de consciência... e isso, para mim... faz toda a diferença, fazendo com que todas as canseiras, continuem a valer a pena...
    Estimo que tudo esteja o melhor possível, aí desse lado, Sônia...
    Aqui mesmo com as vacinas em dia... continuamos com um optimismo bem moderado, perante uma escalada de contágios, e nos restrições super apertadas, por conta da variante Delta... mais preocupante do que as anteriores, conforme não cansam de nos lembrar... apesar de tanta gente, já não estar nem aí, para qualquer perigo... para elas e para os outros...
    Um beijinho! Votos de uma boa semana, e de um mês de Julho, bem menos preocupante do que o anterior, para todos nós!...
    Saúde, para todos, aí desse lado!
    Ana

    ResponderExcluir
  29. Tem vezes que é inevitável mesmo não carregar outras malas, ainda mais de pessoas tão próximas. Desejo calma e um bom silêncio, realmente quando tudo isso acontece, só o silêncio de dentro vai dando as respostas.

    Um imenso abraço!

    ResponderExcluir