Quem sou eu

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O grupo Mulheres 4 Estações,nasceu do encontro de ideias de 3 mulheres, ao perceberem em si o quanto é prazeroso e enriquecedor a troca de vivencias, já que tantas vezes nos reconhecemos no pensamento e sentimento alheio. Então veio o desejo de compartilhar essa experiencia com outras mulheres..... e assim como a natureza se reveste das estações para se revelar aos nossos olhos,nós nos revestimos do falar e ouvir, para nos revelar a nós mesmas.........

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HUMILDADE

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”
(Cora Coralina)
                                (imagem: arquivo pessoal)


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Essa pergunta às vezes me inquieta...

"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda eternidade?"
(Friedrich Nietzsche)


sábado, 7 de janeiro de 2017

PALAVRAS

Por duas vezes sentei para escrever a primeira postagem do ano, várias ideias e ainda assim não conseguia formar frase alguma.
Uma ausência de palavras.
Algumas passearam por minha mente - solitárias - dispersas entre lembranças e sentimentos.
Constato mais uma vez que faço um plano e a vida traça outro, leva o que imaginei e traz o que de fato preciso, mesmo que eu não perceba isso de imediato. 
Sentia na alma uma certa inquietude, como quando se sente no ar uma sutil diferença antes da tempestade cair.
Eu sabia, alguma mudança estava a caminho.
Quando chegou não alterou minha rotina, mas se fez um silêncio aqui dentro do peito.
Veio a necessidade de um tempo para entender alguns vazios, despir o cansaço interno, compreender as escolhas alheias.
E agora, enquanto rabisco uma folha de caderno envolta em reflexões, ouço um murmurinho, são as palavras que acordam.
Ainda sonolentas escorregam e descansam sobre o papel.

(Sônia A.)


                                          (imagem google)

domingo, 4 de dezembro de 2016

ÚLTIMA PÁGINA

Mais uma vez o tempo me assusta. 
Passa afobado pelo meu dia, 
Atropela minha hora, 
Despreza minha agenda. 
Corre prepotente, 
A disputar lugar com a ventania. 
O tempo envelhece, não se emenda. 
Deveria haver algum decreto 
Que obrigasse o tempo a desacelerar 
E a respeitar meu projeto. 
Só assim, eu daria conta 
Dos livros que vão se empilhando, 
Das melodias que estão me aguardando, 
Das saudades que venho sentindo, 
Das verdades que ando mentindo, 
Das promessas que venho esquecendo, 
Dos impulsos que sigo contendo, 
Dos prazeres que chegam partindo, 
Dos receios que partem voltando. 
Agora, que redijo a página final, 
Percebo o tanto de caminho percorrido 
Ao impulso da hora que vai me acelerando. 
Apesar do tempo, e sua pressa desleal, 
Agradeço a Deus por ter vivido, 
Amanhecer e continuar teimando..


(Flora Figueiredo)


                                              (imagem google)

O blog entra em pausa para tomar um fôlego.
A todos que passam por aqui, desejo boas festas e um lindo inicio de 2017.
Que tenhamos paz, leveza e amor no coração e possamos enfeitar sempre nossa alma com poesia, a fim de tornar  mais doce, o olhar.
Abraços aos amigos.

domingo, 27 de novembro de 2016

ÚLTIMO ENCONTRO

Nosso último encontro foi muito agradável.
Primeiro cada uma escreveu uma carta a si mesma, as quais guardei com muito cuidado, para ser entregue e usada por elas no próximo ano, em nova atividade.
Depois fizemos o sorteio da amiga secreta, o que foi bem divertido, já que nas três primeiras tentativas, sempre uma de nós tirava seu próprio nome.
Após a entrega dos presentes, pudemos degustar de um delicioso lanche, oferecido carinhosamente por uma das participantes.
Este ano, várias delas -carinhosamente- abriram a porta da sua casa para nos reunirmos, tornando assim, os encontros acolhedores e agradáveis. 
Queridas amigas, obrigada a cada uma de vocês, pela rica oportunidade de trocar experiências ao longo do ano.
(Carol e Sônia)
                                      ( Foto do encontro feita por Tininha)
                                      CANTA E DANÇA MULHER
"Lembra mulher de quando teus pés descalços pisavam na terra molhada, depois da tempestade tão esperada.
Recorda quando teus ouvidos sabiam compreender as mensagens que o vento assoprava para o teu espírito.

Inspira fundo e sente o aroma daquela época onde viveste próxima aos frutos e às flores e tudo acontecia em tempo certo, sem apressamentos.

Compreende que teu corpo e tua alma obedeciam à voz da Grande Mãe, e tua vida fluia plena de sabedoria, pois tu representavas a Deusa, o Sagrado Feminino, e de ti resplandecia toda a generosidade.

Recorda que conhecias bem os mistérios da lua, tua irmã, e te guiavas por instintos e intuições, sonhavas com as respostas e cheia de confiança em teu coração guiava a tua vida e de tantos outros por caminhos seguros.

Tua natureza, sempre disposta a dar vida e dela cuidar, ligada por estreitos laços aos ritmos e ciclos do universo, sabia cantar e dançar, e assim espalhava alegria pelo norte, pelo sul, pelo leste e pelo oeste, sem perder o teu centro.

Rosa dos ventos e dos tempos, hoje estás novamente aqui, mas não te esqueça jamais de continuar a cumprir o teu sagrado papel.
O Universo ainda carece do teu feminino...

Ah! Então canta e dança
E o destino dos homens se cumprirá!"

(Autoria desconhecida)

sábado, 12 de novembro de 2016

ORAÇÃO AO TEMPO

Tudo o que lhe peço, Tempo, é que me salve do meu coração. Dessa entrega absurda de ir até o outro e me deixar sem mim.
O que lhe peço, Tempo, é o caminho do meio. Aprender a receber antes de me entregar. Ver além.
Peço que me devolva a mim mesma. Que eu me reconheça e me acolha. Me aqueça em meus buracos escuros e definitivamente me toque. Que eu saiba cuidar somente do que me cabe. E deixe ir. E deixe vir. Natural, inteira e suavemente. 
Que a vida me encontre distraída, sem a ânsia de buscar o que não sei. O que não vale. O que não é. 
O que lhe peço, Tempo, é a aceitação do tempo e da vida como ela é. Sei que ela me aguarda plena e legítima. Mostre a ela o caminho até mim. Enquanto isso, me adormeça em paz até que a verdade me alcance como um beijo. Tire de mim essa ânsia de ser feliz, inverta a ordem das coisas e assopre no ouvido da alegria o momento de me capturar sem volta. 
Que eu me aquiete na paz do merecimento, sem dar um passo ou um pio. Que apenas contemple. Que eu resista à tentação de correr para o que ainda não está pronto. Que eu me apronte para a surpresa de um dia simples.
Que eu acorde como quem nasce.
Amém.
(Cris Guerra)

(imagem google

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

UM POUCO DE SILÊNCIO

Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações, muitas desnecessárias, outras impossíveis.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado.
É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas – feito hâmsteres que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença.
Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se “arrumasse” em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos na depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incomodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casas, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
Mas, se agente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para volta mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.

(Lya Luft)

                      (imagem google)