"Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?"
(Mia Couto)
Dias de recolhimento interno... analiso minhas vontades, questiono as prioridades, desconstruo minha rotina, é um desassossego invisível aos olhos.
Revejo atitudes, conceitos... e isso não é coisa fácil, pois implica em vários "porquês", até que minhas verdades sejam reconhecidas.
Um amigo querido me diz, que é o período da semente, onde a alma se recolhe para repensar sua trajetória, buscar a renovação.
Antes de nega- la, devo deixar que cumpra seu ciclo.
Nesse período, não me coube tristeza, embora a inquietude tenha ocultado ao meu olhar algumas belezas, o que o deixou mais crítico e menos compassivo.
Mas enfim, a semente cumpre seu papel, rompo as cascas internas e sereno minhas emoções.
Me aquieto e já posso ouvir minha voz intuitiva novamente.
Reconheço minha essência e ela me alimenta de nova seiva, então, renovada e fortalecida, continuo meu caminho, certa de que a vida é cíclica e outras fases vão surgir, propiciando novo despertar.
Hoje, eu semente.
Amanhã, flores hão de brotar.
Primavera na alma.
(Sonia A.)
(Imagem extraída do Google)







