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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

OLHAR ALÉM

Pensei sobre o que poderia escrever para primeira postagem do ano de 2020.
Papel e caneta na mão, comecei a traçar algumas frases de desejos para o novo ano.
Eu poderia desejar muitas coisas, todas embrulhadas em papel poesia, mas achei tudo tão clichê que rasguei a folha.
Resolvi tentar novamente e várias coisas me passaram pela mente, principalmente reflexões que tive na semana que antecedeu o Natal. Mas isso daria assunto para um outro post e não para o primeiro.
O jeito foi escarafunchar meu baú interno, mas nenhuma palavra, nem uma única letra surgiu lá de dentro, só me coube fechar o caderno e deixar isso de lado.
A noite, já na cama, vários pensamentos resolveram espantar meu sono, peguei meu evangelho, o abri de forma aleatória e uma frase me saltou aos olhos: olhai como crescem os lírios do campo.
Isso estava fora do contexto inicial, mas ao ler, me veio nitidamente qual seria o tema e o desenrolar dessa primeira postagem e que sem premeditar, tem ligação com as reflexões que me assolaram a mente antes do Natal.
Algo que tenho tentado aprender e colocar em prática e que pra ser sincera, muitas vezes me esqueço ou me é tão difícil.
Reconhecer que em alguns momentos da vida, devemos esvaziar a mente de todas inquietações que nos atormentam e as quais ficamos procurando respostas.
Buscar o silêncio interior e se deixar tocar pelo amor de Deus.
Amor que acolhe, acalma.
Ver além das aparências e sentir gratidão por tudo que somos e temos.
Relaxar um pouco do peso diário. Ter a sabedoria de silenciar a mente, olhar o horizonte e contemplar a vida em toda sua magnitude.

Essa é a proposta que tenho para esse novo ano, deixar de buscar resposta pra tudo, de me questionar tantas vezes, não pensar tanto - e se - mas sim, me aventurar em apenas viver a vida.
Isso não significa não planejar,  sonhar, desejar, questionar. Mas sim, viver um dia de cada vez, sem o peso de coisas que muitas vezes acontecem só na imaginação e tiram o prazer do momento ou acabam atropelando uma situação.

Então, desejo apenas que ao passar por aqui hoje, você também possa tirar alguns minutos do seu dia para olhar além.
Ver uma situação por outros ângulos e perspectivas.
E que essa forma de olhar, aquiete sua mente e seu coração.

Feliz Olhar Novo!

                                   Foto: Adriele G.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

FAÇA UM PEDIDO



Quem de vocês, na infância, nunca fez um pedido ao soprar as sementes de um dente de leão?
Eu assoprei muitos e fiz vários pedidos, numa fase onde o que importava não era se o desejo se realizaria e sim, ver as sementes sendo levadas pelo vento, isso já fazia a mágica acontecer.
O menino na foto acima é meu neto mais novo, encantado em assoprar seu dente de leão.


Este,  é meu neto mais velho.
Ao visitar com os pais uma igreja num passeio que fizeram, pediu para acender uma vela, pois queria fazer um pedido para uma pessoa da família, que estava precisando muito de oração.
Quando minha filha me mandou a foto dele assim, tão voltado para o Alto na sua fé infantil e me contou sua intenção, me emocionei e tive a certeza que Deus iria atender o pedido feito por seu coração puro.


Ao pensar numa postagem para fim de ano, foi justamente essas duas fotos que me vieram a mente. Encanto, magia e fé, isso que pra mim elas representam, e eu desejo que no Natal que se aproxima, você permita que sua criança interior desperte e possa te inundar com toda magia e encanto que envolve a data Natalina.
Que com a alegria de uma criança, você abrace um por um por um dos seus semelhantes e os envolva em muito amor.
Depois, com fé, faça seu pedido e deixe a mágica acontecer...

Um lindo Natal e Ano Novo, a todas(o) amigas(o) que passam por aqui.
Muito obrigada por mais um ano de troca e aprendizado que a interação nos permite.
Por enquanto, faço uma pequena pausa aqui no blog.
Beijos de paz no coração de cada um e até breve.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O SILÊNCIO DO MEU CORPO

Eu tenho um grito preso na garganta.
Palavras que se amontoam na minha mente, mas que não sou capaz de verbalizar.
Eu tenho um abraço guardado no colo, um abraço cheio de amor, de saudades, carinhos que já não sou capaz de fazer.
Eu tenho uma prece murmurada em pensamento, todos os dias. Na fé que acalento na alma, mas que não chega aos meus lábios.
Eu tenho um "eu te amo", um "muito obrigada", "me perdoa" e tantas outras frases que gostaria de dizer e não posso.
Eu viajo constantemente por lugares que não vou conhecer e outros que conheci e não posso mais visitar.
Eu tenho tantos arrependimentos. O carinho que deixei de fazer porque precisava limpar a casa. Eu e essa mania de limpeza.
O perdão que não pedi e que também não fui capaz de conceder, por puro orgulho.
Ah, como eu queria me ver livre dessa prisão chamada corpo.
Como eu queria rodopiar lá fora e sentir o vento, o sol, a chuva.
Como eu queria poder pegar meu neto no colo.
As lágrimas escorrem, mas não de dor física e sim por tudo que não sou mais capaz de fazer, de falar, por tudo que deixei em segundo plano e que hoje, hoje eu sei, eram as coisas mais importantes.
Um dia, espero voar livre das amarras.
Nesse dia, eu abençoarei com meu amor todos que cuidaram de mim e serei eternamente grata.
Nesse dia, terei rompido definitivamente meu casulo e poderei partir com a leveza de  uma borboleta, não sem antes  sobrevoar em volta de cada um dos meus amores e quem sabe, pousar por alguns instantes, no teu ombro.


"Para uma pessoa muito querida, portadora de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica)"
Sônia A.

                            imagem: Arquivo pessoal


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

AMOR NA SIMPLICIDADE

Meu neto mais novo tem 3 anos, é um menino muito extrovertido, falante, com uma energia de dar inveja.
O neto mais velho tem 09 anos, é um menino muito amoroso e carrega no olhar uma ternura imensa.
Sempre que tenho oportunidade procuro fazê-los observar a natureza, na tentativa de despertar neles uma conexão com o verde, o respeito pelo meio ambiente.
Por isso, juntos, fazemos coisas simples, como pisar nas sementes secas caídas nas calçadas - aquelas que fazem crec - eles adoram.
Abraçamos árvores, admiramos pássaros, o céu, conversamos com as flores, fazemos escalda pés com ervas que colhemos na pequena horta que tem no quintal da casa da minha filha.
Como são crianças, sempre  pegamos, duas folhinhas de hortelã e uma de capim cidreira, para cada um deles.
Encho a bacia com água morna e eles já correm colocar os pés.
Além de ajudar a relaxar e acalmar, também desperta na criança o interesse pelas ervas e seus benefícios.
A cidade que moro tem vários ipês, amarelos, brancos e rosas.
A cidade fica florida por dias e dias. Sempre paro com eles para admirar um ou outro.
Os amarelos são vários espalhados pela cidade, por isso meu netinho, assim que vê um já diz: olha vó, o ipê amarelo.
E eu, me sinto muito feliz por compartilhar desse encanto com eles.
Como dizia Manoel de Barros: "...Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
É assim que quero marcar a infância dos meus netos, com o encantamento por coisas simples, que se abrem diariamente diante dos nossos olhos e torna nossa vida mais leve e bela.
Isso também é uma forma de falar e demonstrar amor.

"Que nessa primavera, possamos nos encantar inúmeras vezes  com o simples - ainda que muitas vezes efêmero - aquele momento único que enche nossos olhos de prazer."

              Uma ótima primavera a todos!


                                  Fotos que fizemos juntos



domingo, 1 de setembro de 2019

INTEIRAMENTE

Não, eu não quero uma vida em preto e branco. Eu quero uma vida repleta de cores, amores, sorrisos.
Quero colher ternuras nos meus dias, com a simplicidade de alguém que recolhe a roupa do varal num dia de sol.
Quero ser capaz de regar a minha vida - a sua e de tantos outros - com muito amor.
A vida é muito curta para ser deixada em segundo plano, ao acaso.
Por mais que algumas noites sejam longas e escuras, não quero nunca deixar de acreditar que o sol nasce pela manhã, trazendo luz e novas oportunidades.
Quero chão sob meus pés, quero o vento despenteando meus  cabelos e soprando na minha cara lavada.
Quero a vida pulsando, não apenas no meu peito em ritmo de tic-tac. Quero que ela pulse na minha alma - nas minhas emoções, na minha voz, nas minhas mãos - como o som que sai do tambor - forte, cadenciado, vibrante.
Ando cansada do marasmo de sentir pequeno, de calar o que penso e sinto, de fazer a santa.
Quero o eco para a poesia que grita por meus sentidos.
A efervescência para os sonhos que acalento.
Quero a vida! Transbordando de mim, para mim.
Porque ninguém merece viver pela metade.

(Sônia A.)

(Foto de Euclides)



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL


Ao visitar o blog da amiga Roselia, https://www.idadeespiritual.com.br, senti vontade de participar da blogagem coletiva em comemoração aos 10 anos do seu espaço e antes mesmo de avisá-la da minha participação, comecei a pensar sobre o que poderia escrever.
O que de fato descreve a inteligência espiritual? Sei que cada um tem a sua, numa percepção mais ou menos apurada, já que cada ser está num patamar de evolução e de entendimento.
Também sei, que ela independe da religião. Mas quanto a mim, o que a resume?
Seria a necessidade que tenho de me ligar ao alto, sentir o contato com minha essência criadora?
Acredito que quando não alimentamos a fofoca, a maledicência, as tristezas e procuramos levar alegria, otimismo, ânimo e amor aos que nos cercam, espalhando o desejo de renovação a outros corações,  estamos usando a inteligência espiritual.
A sabedoria do amor de Deus, que habita em nossa essência e  se manifesta através das nossas ações.
Também podemos usar dessa nossa inteligência para expandir nossa consciência e ver o mundo como um todo e não apenas a parcela do que estou vivendo e sentindo no momento.
Filtrar o que realmente tem importância, se algo me acrescenta ou me contamina e perceber que muitas vezes, alguns lugares (ou pessoas), já não me cabem.
Finalizo minha participação com uma citação de Mia Couto:

"Ainda lembrei de suas palavras amadurecendo uma esperança para mim quando eu de tudo descria:
Não vê os rios que nunca enchem o mar? A vida de cada um também é assim: está sempre toda por viver."
(Mia Couto - O Ultimo Voo do Flamingo)






                                                                                                  







sexta-feira, 2 de agosto de 2019

VOO

Hoje ao acordar, achei que era pássaro.
Abri a janela, aspirei o ar da manhã e me preparei para o voo.
Ao tentar abrir as asas veio o susto, onde estavam?
E minhas penas coloridas, quem as arrancou?
Sinto medo!
O que é de um pássaro sem suas asas e sem suas penas?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao acordar, desejei ser pássaro.
Sentar no parapeito da janela, olhar a vista, bater asas e voar.
Leve, livre, enfeitando o ar com minhas penas coloridas.
Mas sei que não há como ser pássaro, o desejo é apenas uma metáfora que minha alma usa para mostrar o seu ensejo de liberdade.
Sinto medo!
O que é alguém que não se sente capaz de alçar os próprios voos?
Um ser incompleto, triste.

Hoje ao despertar, decidi ser eu mesma.
Dona da minha vontade e autora da minha história.
Não permitir que outros me tolham o voo, me cortem as asas e apaguem minhas cores.
Sinto coragem!
O que se torna alguém que luta por seus sonhos, suas vontades e por viver sua essência?
Um ser completo e feliz.

Voo.
Por espaços esquecidos dentro de mim.
Me pertenço.
Me aceito.
Me liberto.
Sou livre, enfim!

Sônia A.

                          (Foto de Rose A.)